Mais de metade das empresas que exportam para Angola depende a 100% desse mercado

(DR)

Para a maioria das empresas portuguesas que vendem mercadorias a Angola, esse é o único país para onde exportam. Ou seja, uma crise neste mercado, como aquela que está a ocorrer, representa uma penalização muito forte para estes grupos.

Os números divulgados esta quinta-feira, 10 de Dezembro, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) são impressionantes. No terceiro trimestre deste ano, existiam 6.707 empresas a vender bens a Angola. Dessas, para 4.886, Angola representa mais de 50% das suas exportações. Ou seja, 73%. Se olharmos para aquelas que só vendem para a Angola – 100% das exportações para esse mercado – essa percentagem desce, mas continua muito elevada: 54%. Há 3.605 empresas nessa situação.

“Mais de metade das empresas que exportaram bens para Angola (53,7%) apenas exportaram para esse país, concentrando quase um terço do valor exportado (32,4%)”, refere o INE. “As empresas com pelo menos 50% das suas exportações para Angola eram maioritariamente de pequena dimensão, quer em termos do pessoal ao serviço (55,8% tinham menos de 10 pessoas ao serviço) quer do volume de negócios (59,7% tinham menos de 1 milhão de euros).

Estas empresas dependentes de Angola são de vários sectores. Máquinas e aparelhos são os bens mais exportados, seguidos por produtos alimentares e metais comuns. Se desagregarmos mais estas categorias, o destaque vai para medicamentos, enchidos e vinhos.

Se o critério utilizado for o do valor exportado – em vez do número de empresas – há outros países que merecem referência e que podem explicar o motivo pelo qual as exportações para países extra-União Europeia estão a ter um comportamento mais volátil.

Mais de metade do valor vendido ao Brasil vem de empresas que dependem desse mercado em recessão para escoar metade das suas exportações. Para a China, que também atravessa dificuldades, essa percentagem está nos 58% (isto é, 58% das vendas vem de empresas que têm na China o destino de mais de 50% das suas vendas). Moçambique também apresenta um valor próximo dos 46%. (jornaldenegocios)

 

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