Luanda pode transportar um milhão de passageiros por dia

(Foto: Pedro Nicodemos)

A Urbeinveste apresentou na passada segunda-feira, o Plano Director Geral Metropolitano de Luanda que visa melhorar a imagem da capital do país. O Presidente do Conselho de Administração da Autoridade para o Transportes, Hélder Preza, entende ser um plano sustentado e, acrescenta, Luanda precisa de movimentar um milhão de pessoas por dia

O trânsito caótico de Luanda estimula a criatividade das autoridades na busca de soluções. Neste sentido, estão em projecção soluções intermodais de transportes que integram os transportes marítimo, terrestre e ferroviário. O metro de superfície poderá estar sobre os carris em 2017, no mesmo ano em que entra em funcionamento o sistema BRT.

O Presidente do Conselho de Administração da Autoridade dos Transportes de Luanda, Hélder Preza, acredita no plano metropolitano apresentado pela Urbeinveste, tendo defendido que este se enquadra bem nos problemas de Luanda.

“O trânsito é um problema típico das grandes cidades. Luanda conta agora com o primeiro passo inteligente para solucionar o problema do trânsito. Digo inteligente por ter havido soluções esporádicas para mitigar um determinado problema”, disse.

O responsável pelos transportes acrescentou também que “uma cidade como Luanda, com seis milhões de habitantes, precisa de um sistema de transportes capaz de transportar um milhão de pessoas por dia. Isso, partindo do princípio que as outras pessoas têm carro próprio ou se deslocam a pé”.

Hélder Preza afirmou ainda que o novo plano encara os problemas do transporte e da mobilidade de forma ampla, olhando para o presente e para o futuro, mas ressalvou que o planeamento serve como linha orientadora: “Um plano é sempre um plano. Se algumas das variáveis não funcionarem dentro de cinco anos, é normal que seja alterado. Não haverá problema nenhum, pois a situação no terreno pode evoluir”.

Citando o caso das obras para duplicação da linha férrea de Luanda para Baía, município de Viana, o PCA da Autoridade de Transportes de Luanda avançou que o plano que foi apresentado na segunda-feira pela Urbeinveste já começou a ser implementado numa extensão de 44 quilómetros.

“Depois da conclusão da obra teremos a possibilidade de colocar dois comboios em andamento, sendo um no sentido descendente e, outro, no ascendente. Teremos mais frequências e maior número de passageiros transportados”, assegurou.

Este responsável fez saber também que os trabalhos contemplam a remodelação das passagens de nível, onde os comboios e os carros se cruzam hoje ao mesmo nível. As obras, de acordo com Hélder Preza, vão permitir a construção de passagens desniveladas, possibilitando uma maior fluidez no trânsito e maior velocidade dos comboios do caminho-de-ferro de Luanda. Hélder Preza lembra ainda que o plano apresentado pela Urbeinveste prevê um sistema intermodal de transportes onde se incluem comboios pesados, metro ligeiro, autocarros em linhas dedicadas, vulgo BRT, autocarros das rotas já existentes e táxis individuais e colectivos: “No quadro do programa de mobilidade para Luanda, os autocarros de menor dimensão vão transportar as pessoas das suas residências até aos centros de maior concentração, onde vão apanhar outro meio de transporte. É assim que vai funcionar”. Com vista a melhoria do trânsito, o governador provincial de Luanda, Graciano Domingos, anunciou recentemente que está em marcha um plano que visa desafogar o trânsito na cidade metropolitana de Luanda. “Luanda terá uma linha férrea que vai ligar a centralidade do Kilamba à estação dos Musseques, no Distrito Urbano do Rangel, município de Luanda”, anunciou, o governador.

De acordo com o governador Graciano Domingos, a nova linha férrea estará interligada ao metro de superfície que vai partir da nova marginal, no centro de Luanda, passando pela Samba, Corimba até ao Benfica. “As pontes já estão concluídas. Por isso, acredito que teremos o metro na segunda quinzena de 2017”, vaticinou.

O plano estruturante, pois claro

O Plano Director Geral Metropolitano de Luanda (PDGML) apresentado na última segunda-feira pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Edeltrudes Costa, assenta em três pilares, nomeadamente, “cidade habitável”, “nossa cidade bonita” e “cidade internacional”, disse a directora geral da Urbinveste, Isabel dos Santos.

A responsável do consórcio sublinhou que, com esses pilares, pretende-se acautelar todos os serviços sociais, creches, escolas, clínica, estrada, água e luz, local de trabalho próximo dos cidadãos.

O segundo pilar, “nossa cidade bonita”, prevê preservar a beleza natural, cultural do meio ambiente por ser uma cidade mais histórica em África e das mais antigas, datando desde 1492 á chegada dos portugueses.

O terceiro e último pilar considerado o mais ambicioso, de acordo com Isabel dos Santos é “Luanda internacional”, em que se pensa uma cidade com papel em África e no mundo, uma cidade que se possa comparar com Paris, Joanesburgo e Rio de Janeiro, enfim uma cidade mundial, onde pessoas mais jovens, empreendedoras deverão saber como é que vêem e se revêem no mundo, ou seja a ambição para Luanda.

Segundo a directora, o projecto é faseado, durará 15 anos e que, durante esse tempo, todas as entidades, empresas de construção civil, Epal, Ende e outras, deverão integrar este investimento que terá retorno e lucros para os presentes e para as gerações futuras.

Informou que a província de Luanda tem vários tipos de ocupação, entre os quais bairros antigos mais estruturados, alguns não estruturados, musseques estruturados enfim, é uma cidade que precisa ter uma regeneração urbana.

“Luanda cresceu muito rápido, as pessoas foram chegando e erguendo as suas casas e isso tem que ser respeitado, mas há aquelas outras pessoas que vivem em zonas de risco, nas valas ou linhas de água. A condição dessas pessoas tem que ser analisada e resolvida, encontrando uma equação para o realojamento em sítios mais seguros e acomodações mais condignas”, explicou.

Isabel dos Santos fez saber que será identificado o património cultural existente e haverá uma estratégia da sua requalificação, a fim de antever. por exemplo. que edifícios antigos possam ser transformados em espaços de lazer como galerias de artes, restaurantes, etc.

O PDGL resume os princípios orientadores que sustentam um crescimento consolidado e servirá de base às principais acções e objectivos a concretizar pelas instituições chave do Governo e departamentos municipais. As acções serão articuladas através de programas faseados a implementar durante 15 anos, até 2030 e algumas execuções perdurarão para além desta data. (semanarioeconomico)

Por: Miguel Kitari

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