Jihadistas do Estado Islâmico fogem para África

Militares franceses, legionários e do exército da Costa do Marfim testam anfíbios Imagem: Armée Française D.R

O grupo terrorista da Al Qaeda de Boko Haram, dá “guarida” a jihadistas do Estado Islâmico (E.I) em território africano: na Nigéria e na Costa do Marfim. E os fanáticos islâmicos que fugiram da Síria e do Iraque prometem avançar com atentados nos próximos dias no continente africano, na Europa, Médio Oriente e nos Estados Unidos.

Segundo as agências noticiosas internacionais, nos últimos três dias, foram massacradas mais de 50 pessoas, em diferentes ataques, cometidos pelo grupo de Boko Haram, no norte da Nigéria, a apenas alguns dias do prazo dado pelo presidente Muhamadu Buhari para vencer esse grupo islamita. A tendência para novos atentados aumenta, uma vez que os chefes do Estado Islâmico começaram a fugir do Iraque e da Síria para África.

Conscientes desta ameaça terrorista em solo africano, as tropas francesas, especialmente a marinha e a infantaria, decidiram efectuar um exercício militar na Costa do Marfim, que durou mais de 72 horas e serviu para testar a operacionalidade dos 260 militares, dos 60 veículos anfíbios. E a segurança nas ruas de Abidjan aumentou bastante nas últimas horas. Existem militares e polícias nos pontos estratégicos da capital da Costa do Marfim.

Este país situado na África Ocidental é considerado um ponto estratégico para projectar e desenvolver ataques terroristas em vários países vizinhos, uma vez que a norte faz fronteira com o Mali e o Burkina Faso, a leste pelo Gana, a oeste pela Libéria e pela Guiné e no sul pelo oceano Atlântico. E foi exactamente por isso que os militares franceses, a conselho dos serviços secretos avançaram com este exercício militar envolvendo o exército da Costa do Marfim e mercenários da Legião Francesa.

Na segunda-feira passada, duas suicidas da Al Qaeda fizeram-se explodir num mercado no estado de Adamawa, no nordeste da Nigéria, provocando mais de 30 vítimas que andavam a fazer compras e foram apanhadas de surpresa.

“As duas suicidas mataram pelo menos 30 pessoas em duas explosões no mercado”, disse à Agência France Press (AFP), Maina Ularamu, ex-presidente do governo local de Madagali, na fronteira com o estado de Borno, reduto do grupo terrorista Boko Haram.

O grupo de Boko Haram tomou conta de Madagali em Agosto de 2014, obrigando os habitantes a fugirem para Yola, capital do estado de Adamawa, transformando esta cidade nigeriana no seu quartel general. Após uma série de vitórias contra os extremistas da Al Qaeda, o Exército nigeriano conseguiu retomar o controlo de Madagali. Mas com a chegada dos jihadistas do estado Islâmico à Nigéria, a situação pode inverter-se nas primeiras semanas de Janeiro.

Os rebeldes do grupo terrorista Boko Haram aproveitaram a época natalícia para multiplicarem os seus ataques ofensivos e espalharem o pânico e o medo pelas populações que vão abandonando o país. Desde o último domingo, que o grupo de Boko Haram, despoletou uma série de ataques armados e de atentados suicidas na cidade de Maiduguri, em Borno, matando 22 pessoas.

A guerra que se verifica na Nigéria entre o exército e os jihadistas poderá desenvolver-se em outros estados africanos e é por essa razão que os militares franceses reforçaram os seus operacionais. Nomeadamente o porta-aviões Charles de Gaulle está em alerta permanente e pronto para efectuar bombardeamentos.

Os ataques levados a cabo pelos terroristas estão a deixar as populações da região de Maiduguri em pânico e a Organização das Nações Unidas (ONU) prevê milhares de refugiados nigerianos a caminho de outros países vizinhos nos próximos meses.

Na quinta-feira passada, Muhamadu Buhari, o presidente da Nigéria, declarou que o seu país venceu, “tecnicamente”, a guerra contra o grupo terrorista de Boko Haram, apesar da ameaça constante de ataques suicidas, mas a realidade é bem diferente. As últimas informações provenientes da Nigéria dão conta das dificuldades do exército nigeriano.

Ou seja, a passagem de ano na Nigéria e em muitos Estados africanos vai ser de alerta máximo, pois os atentados terroristas podem praticados pelos jihadistas podem acontecer em qualquer parte do continente africano. (Portal de Angola)

por José Valentim Peixe

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