Greve paralisa alfândegas de Cabo Verde

João Vitorino, porta-voz dos grevistas (Foto: João Maria Borges)

Os trabalhadores das alfândegas cabo-verdianas, que cumprem esta quarta-feira (09.12) o terceiro de cinco dias de greve geral, exigem a aprovação do estatuto e da grelha salarial. E já ameaçam com novas formas de luta.

Os trabalhadores reclamam um novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários, que lhes garanta promoções e progressões nas carreiras. “O Governo nega insistentemente aprovar esse estatuto”, afirma o porta-voz dos grevistas. Segundo João Vitorino, foi pedido aos trabalhadores que esperassem pela “criação de uma nova autoridade tributária aduaneira”, para depois ver se poderão “ser enquadrados”.

“A autoridade tributária aduaneira foi inventada na semana passada”, sublinha o representante dos trabalhadores, lembrando que uma entidade como esta “não se cria de um dia para o outro”.

Esta é a segunda greve dos funcionários das alfândegas de Cabo Verde este ano, depois da paralisação de três dias em agosto. Foi estrategicamente convocada para o mês de dezembro, o mês de festas e o mês em que a importação de produtos aumenta de forma exponencial num país que importa quase tudo. O que poderá provocar algum atraso no desalfandegamento de alguns produtos na época natalícia que se avizinha.

Prejuízos avultados

Os custos da greve ainda não foram contabilizados. Segundo disse à DW África uma fonte da Direcção Nacional das Receitas do Estado, diariamente as alfândegas recolhem para os cofres do Estado entre 500 mil a 600 mil euros. Somando esses números, pode concluir-se que os cinco dias de greve significam um prejuízo estimado em dois milhões e meio a três milhões de euros.

Na Alfândega da Praia, o movimento é muito fraco. Os proprietários dos camiões de aluguer queixam-se da falta de clientes. Dizem que não há trabalho, nem movimento. “Da alfândega não sai nada, está tudo parado”.

“Sem trabalho a nossa rotina por estes dias é sentarmo-nos aqui e no final do dia regressar a casa”, conta um trabalhador. “Já vieram muitas pessoas, mas regressaram com as mãos vazias porque não há funcionários para fazer vistorias”.

“Falta vontade política”

Segundo o presidente do Sindicato Democrático da Administração Pública, Domingos Barbosa, a greve só avançou devido à intransigência da ministra das Finanças, Cristina Duarte. “Não há vontade política por parte da ministra em resolver essa questão”, diz.

A ministra das Finanças sacode a água do seu capote e diz não entender “a pertinência da greve”. Cristina Duarte acusa os sindicatos e os trabalhadores de má fé nas negociações. O porta-voz dos grevistas, João Vitorino, nega estas acusações.

Os trabalhadores em greve ameaçam com novas lutas que poderão passar por greves de zelo ou mais paralisações. (DW)

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