Gás. Excesso de procura e liquefeito arrastam preços

(OJE)

Os preços do gás diminuem e convergem em todos os mercados marcados pela diminuição da procura, o excesso de oferta e a melhoria das infraestruturas de gás natural liquefeito.

Os preços do gás diminuem significativamente em todos os mercados e regiões. Este dinamismo do mercado do gás deve-se a três fatores: primeiro, à grande descida do preço do petróleo; segundo, a uma procura menor do que o esperado devido ao baixo custo do carvão e das energias renováveis; e em terceiro, a uma oferta maior do que esperado, especialmente pelo fornecimento de xisto nos EUA.

Estas são as principais conclusões apontadas pelo mais recente estudo da Crédito Y Caución, que esclarece ainda que nos EUA, os preços do gás induziram a um aumento do nível de consumo, impulsionado pela substituição do carbono por gás, no setor energético.

Assim, prevê que o crescimento da capacidade de produção duplique o valor da procura, gerando um excesso de oferta que provocará um forte aumento das exportações norte-americanas. O destino principal mais provável destas exportações será a Ásia e a Europa.

Em jeito de conclusão, importa reter que o panorama geral é a continuação da convergência de preços do gás a nível mundial. Espera-se que a diferença de preços entre a Ásia e os EUA diminua em 2020 para 7,0 dólares norte-americanos por um milhão de BTU (british thermal unit) desde os 7,7 atuais. Dado que o custo adicional do Gás Natural Liquefeito é de 4 dólares por milhão de BTU, prevê-se que a convergência continue depois de 2020.

Europa: urge diversificar fornecedores

Neste momento, a Europa procura garantir o fornecimento de gás. Uma revolução de gás de xisto semelhante à dos EUA é pouco provável na Europa devido às diferenças no clima empresarial e o importante papel das questões ambientais.

Na Velho Continente, a diminuição da capacidade de produção e a ligeira pressão ascendente sobre o consumo implica um aumento das necessidades de importação, mas o mercado europeu do gás está em rápida mudança. A Rússia, o maior produtor da região, deve ter cuidado com os seus clientes europeus. Com a Ucrânia, o principal país de trânsito de gás russo para a Europa, em busca de ligações mais estreitas com a união europeia, as sanções russas puseram o fornecimento de gás em jogo. Limitar a dependência da Rússia transformou-se numa prioridade europeia.

Logo, os principais pilares da recente estratégia energética da União Europeia são a diversificação de fornecedores de gás e a melhoria das infraestruturas, que facilitará a importância do gás natural liquefeito norte-americano e australiano.

Ásia: ao sabor da reposição do consumo

Por seu turno, o mercado asiático também está em mudança, marcado pela desaceleração do crescimento do consumo na China, Japão e Coreia do Sul, o forte fornecimento de gás natural liquefeito da Austrália e um preço do petróleo mais reduzido. Estes três fatores exercem uma forte pressão sobre os preços do gás asiático. Não obstante, espera-se que o crescimento do consumo asiático se volte a repor. As autoridades chinesas declararam guerra contra a contaminação, que trata de limitar a utilização de carbono e podia beneficiar o consumo de uma fonte de energia limpa como o gás. O desenvolvimento da Ásia será fundamental na evolução futura do preço do gás, não só na região.

GNL : procura mantém-se forte

Sobre o Gás Natural Liquefeito, e o seu fornecimento, importa sublinhar que o da Austrália e dos EUA é cada vez mais abundante, mas prevê-se que a procura se mantenha forte, especialmente na China. O gás natural liquefeito também encontrará o seu caminho para a Europa, onde constitui uma alternativa ao gasoduto que melhorará a posição de negociação com a Rússia. (OJE)

por Sónia Bexiga/OJE

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