Galvão Branco: “TAAG é o modelo adequado para a rentabilização das empresas”

Galvão Branco (Foto: D.R.)

O consultor de empresas Galvão Branco defende que o redimensionamento das empresas públicas em vias de extinção deveria ser feito por via do Mercado de Capitais, para que houvesse maior transparência no processo de privatização

Como avalia o processo de extinção de empresas públicas por ineficiência?

Qualquer empresa, independentemente da origem do seu capital e da sua estrutura societária tem que salvaguardar o interesse accionista por via da geração de lucros e da criação de valor económico sustentável. Uma significativa parte do universo empresarial público nacional não cumpre este desiderato por falta de eficiência e conectividade, decorrente de más práticas de governação corporativa e de falta de visão estratégica, pelo que devem ser privatizadas ou dissolvidas.

A medida é oportuna?

A actual situação de crise que a nossa economia atravessa aconselha a eliminação de gastos supérfluos, como é o caso da consignação de subsídios operacionais a empresas públicas em situação de insolvência ou rentabilidade duvidosa. A contracção do nosso crescimento económico tem que ser estimulado sobretudo pelo investimento privado directo, assegurando o desempenho, proporcionando valor aos investidores nacionais ou estrangeiros.

Mas…

Mas quando por razão de Estado se entender manter no universo empresarial publico algumas empresas, como é por exemplo o caso da TAAG, é aconselhável a adopção de modelos de gestão e exploração que façam apelo às competências de operadores privados, por via de contratos de concepção ou parceiras público privadas.

Acha que mais empresas deveriam ser extintas tendo em conta que do universo de 91 empresas, 39 estão em plena actividade?

Creio que o órgão que tutela o sector empresarial do Estado – Ministério da Economia/ISEP – estão a criar condições para a resolução jurídico-administrativas das empresas paralisadas e em situação de falência técnica e a viabilização de outras que se reconhece terem rentabilidade assegurada, por via de adopçao de outros modelos de gestão. Entendo, contudo, que qualquer medida de redimensionamento empresarial deveria ocorrer por via do mercado de capitais dotando deste modo de mais transparência os processos de privatização.

Onde residem os principais problemas das empresas públicas nacionais?

A inviabilidade de uma grande parte das nossas empresas públicas assenta fundamentalmente na falta de ambição e exigência do acionista, neste caso o Estado, por não estarem orientados para o mercado e a adopçao de práticas de gestão que não atendem os pressupostos da produtividade e da competividade. A recente solução tendente a viabilidade da TAAG é o paradigma adequado para a rentabilização dessas empresas, onde o elemento da gestão profissionalizada constitui o factor crítico do sucesso.

Acha que as empresas deveriam ser mais competitivas de modo a não depender do dinheiro do Estado?

As empresas só podem depender de recursos públicos, normalmente sob forma de subsídios aos preços, quando o Estado entende financiar determinados bens de relevante impacto social como é o caso da água potável, energia elétrica e transporte público urbano e mesmo assim observando as regras do cálculo económico traduzidos na realização de contratos e programas.

Qual é o lado nocivo do actual financiamentos das empresas?

A concessão de “subsídios operacionais” de forma indiscriminada e não orientada por objectivos, não é uma boa prática ao nível das politicas públicas, orientadas para a micro economia.

Que benefícios se espera da medida?

Qualquer medida que se venha a adaptar no sentido do redimensionamento do sector empresarial, deve ter presente a obtenção de receitas para o Estado. Representa um significativo activo financeiro que não deve ser alienado como já ocorreu no passado, sob condução do então designado Gabinete de Apoio ao Redimensionamento Empresarial – GARE, onde o património imobiliário dessas empresas constituem, hoje, armazéns de comerciantes de várias origens, decorrente de processos de trespasse pouco transparentes.

Há empresas públicas não produtivas em Angola que já anunciaram o não pagamento do 13º e o cabaz de natal por falta de dinheiro. Como avalia esta situação?

Creio que um horizonte nebuloso se depara nesta quadra natalícia para os trabalhadores duma parte dessas empresas em matéria do cumprimento das obrigações salariais. Não creio que o seu accionista – o Estado – esteja em condições de tesouraria de vir em seu socorro, o que de certo modo seria justo. (semanarioeconomico)

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