Fitch retira selo de bom pagador do Brasil

(DPA)

Agência de classificação de risco reduz nota de BBB- para BB+, e mantém perspectiva negativa. A deterioração do cenário doméstico, afirma, aumenta os desafios das autoridades para tomar medidas políticas corretas.

A agência de classificação de risco Fitch retirou nesta quarta-feira (16/12) o selo de bom pagador do Brasil. A nota foi cortada de BBB- para BB+ e, de acordo com a instituição, a perspectiva permanece negativa, o que significa que ela poderá rebaixar o país, mais uma vez, nos próximos meses.

Em comunicado, a Fitch afirmou que o rebaixamento do Brasil reflete uma recessão mais profunda do que previsto anteriormente; a contínua evolução fiscal desfavorável; e o aumento da incerteza política, que pode prejudicar ainda mais a capacidade do governo de implementar as medidas fiscais para estabilizar o país.

“Os destaques negativos continuam incertos e geram riscos de deterioração relacionados às evoluções econômicas, fiscais e políticas”, afirma a nota. “A deterioração do cenário doméstico aumenta os desafios das autoridades para tomar medidas políticas corretas e oportunas para apoiar a confiança e melhorar as perspectivas de crescimento, a consolidação fiscal e a estabilização da dívida.”

A agência lembra ainda a contração da economia de 1,7% no terceiro trimestre de 2015 em relação aos três meses anteriores. Em comparação ao terceiro trimestre do ano anterior, o PIB recuou 4,5% em 2015, a maior queda desde o início da série histórica do IBGE, iniciada em 1996. Agora, a instituição prevê a queda da economia de 3,7% (2015) e 2,5% (2016).

O aumento das taxas de desemprego, a restrição de crédito, a queda da confiança e a alta inflação estão pesando sobre o consumo. Além disso, diz a agência, as incertezas políticas, o mal-estar do setor de construção civil e as repercussões negativas da operação Lava Jato, entre outros, dificultam o investimento.

“O ambiente externo continua sendo difícil para o Brasil, com a queda dos preços das commodities, a desaceleração da China e o aperto das condições financeiras internacionais”, frisou.

Agora, o Brasil é considerado grau especulativo por duas agências – além da Fitch, a Standard&Poor’s cortou a nota do país em setembro. A nota dada por agências de classificação de risco serve para que investidores saibam o grau de risco dos títulos que estão adquirindo. (DW)

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