Exposição em São Paulo apresenta heranças do período colonial brasileiro

Obra de Jaime Lauriano, que faz parte da exposição Empresa Colonial, em cartaz na Caixa Cultural São Paulo (Foto: Divulgação)

A exposição Empresa Colonial, que apresenta os reflexos do período colonial brasileiro na formação da cultura e da estrutura social e política do país, foi inaugurada hoje (12) na Caixa Cultural São Paulo, na Praça da Sé, centro da capital paulista.

Obras de cinco artistas brasileiros contemporâneos – Beto Shwafaty, Bruno Baptistelli, Clara Ianni, Jaime Lauriano e Lais Myrrha – pretendem evidenciar a continuidade das relações de dominação e de exploração da terra e do homem que permeiam a história do país desde o período em que o Brasil era colônia de Portugal até os dias atuais. Segundo o curador Tomás Toledo, as relações exploratórias se deram por parte dos colonizadores em relação aos nativos, mas se perpetuaram dentro da sociedade brasileira, tornando-se um trauma não superado.

“Com base nas minhas pesquisas em história do Brasil e na análise da atualidade, comecei a ficar bastante interessado em estudar os reflexos do período colonial na atualidade. Como certas perspectivas, modos de agir e maneiras de pensar do período colonial se mantêm na nossa atualidade, como isso nos afeta e como isso molda nossa sociedade”, disse o curador. Ele percebeu que os artistas também tinham essas inquietações e, a partir dessa troca, começou a moldar a exposição.

Na obra O Tempo Corre para o Norte, a arista Lais Myrrha apresenta uma ampulheta invertida, na qual o tempo corre na direção contrária. O objeto levanta a problemática da dominação da metrópole sobre a colônia e faz uma alusão à oposição Norte (desenvolvido) e Sul (subdesenvolvido).

O curador destacou ainda a obra de Jaime Lauriano, chamada Quem não Reagiu Está Vivo, coletânea de textos e imagens com diversas formas de violência do Estado brasileiro contra as populações nativas, as minorias e a população de baixa renda, entre outros. “O Jaime começa com uma imagem da repressão no período colonial, em que os portugueses estão reprimindo um quilombo, o Quilombo dos Palmares. Depois, passa para a imagem de um mapa falando sobre a exploração da mão de obra dos povos indígenas, escravizados pelos portugueses”, explicou Toledo.

A obra traz uma sequência de situações históricas que revelam essas violações, chegando até a acontecimentos recentes que tomaram os jornais. Segundo o curador, o público poderá perceber como essa violência é uma prática regulada pelo Estado, bastante atual e presente na sociedade brasileira.

“[O artista] vai andando até a devastação das florestas, o extermínio dos povos indígenas, com a imagem de uma placa da fundação da rodovia Transamazônica, no século 20. Até chegar a uma imagem de repressão em uma reintegração de posse no terreno do Pinheirinho, que ficou muito famosa há um tempo, em que o governador [de São Paulo] Geraldo Alckmin falou ‘quem não reagiu está vivo’. É bem atual”, disse o curador.

A exposição fica em cartaz até 28 de fevereiro de 2016. A entrada é gratuita.(Agência Brasil)

por Camila Boehm

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