Exportação de atum é meta do Executivo

Rosa Pacavira (Foto: D.R.)

Operadores preparam as condições para darem início, no próximo mês, à captura de atum em grandes quantidades, a partir das 30 mil milhas da costa angolana, para exportação.

Segundo a ministra do Comércio, que confirmou o facto, existe já um grande interesse do Japão no atum angolano, pelas suas qualidades. “Confirmo que temos um grande pedido do Japão e vamos trabalhar para capturar atum, que abunda na nossa costa”, disse Rosa Pacavira, que avançou também pedidos dos Estados Unidos pelo mel angolano e da Namíbia pelas hortícolas.

Segundo as estatísticas da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o atum abunda na costa angolana e é dos mais comercializados em todo o mundo. Recentemente, o Executivo adoptou medidas de gestão com o objectivo de estimular o sector empresarial privado para investir também no processamento do atum, fazendo conservas, em vez de exportar como matéria-prima.

“O que pretendemos é ter capacidade instalada para processamento de modo a que, além de consumido internamente, o atum seja exportado como matéria elaborada”, disse a ministra Victória de Barros Neto, que vê nos lombos e conservas de atum formas de promover internamente um melhor aproveitamento do recurso, mas também de aumentar as oportunidades de emprego na actividade pesqueira.

A ministra afirmou que a ideia é incentivar o surgimento de mais operadores do sector privado a investirem na pesca e no processamento do atum. De acordo ainda com a FAO, o atum é um alimento extremamente nutritivo. É rico em proteínas de alta qualidade e uma excelente fonte de nutrientes importantes, como o Selénio Minerais, Magnésio e Potássio, além do Complexo de Vitamina B e os ómega-3. Recentemente, o Conselho de Ministros aprovou um diploma sobre as medidas de gestão das pescarias marinhas para a pesca continental e aquacultura em 2016, que teve enfoque especial no carapau, espécie que lidera o consumo nacional.

Segundo o diploma, são mantidos os níveis de captura de 2015, assim como a quota de importação de modo a suprir o défice resultante dos três meses de proibição a que está sujeita a pesca do carapau. “É importante porque o peixe que a nossa população mais consome é mesmo o carapau”, disse a ministra, sublinhando que o objectivo do Governo é prosseguir com medidas de preservação da espécie, entre outras, vedando a pesca do carapau em três meses durante o ano, de modo a atingirmos a meta que é “recuperar substancialmente a biomassa do carapau”.

Segundo a ministra das Pescas, para prevenir a escassez do produto devido ao período de veda, que vai de Junho a Agosto de 2016, foi aprovada a quota de importação de um contingente de 90 mil toneladas de carapau. “Existem períodos de veda ou repouso biológico para várias espécies, e no caso do carapau, é certo que temos obtido resultados satisfatórios na implementação destas medidas, mas podem ser melhores.”

A adopção de medidas de protecção do carapau começa a produzir “indicadores bastante positivos”, que a ministra entende que devem continuar a ser sustentáveis no tempo. “A resposta tem sido positiva, mas precisa de ser sustentável e é por isso que vamos continuar a adoptar medidas de protecção desta e de outras espécies que também estão sujeitas a veda ou a um período de repouso biológico”, defendeu.

Em Angola, o ano de referência é de 1972, período anterior à independência nacional, em que as capturas atingiram mais de 600 mil toneladas. “Queremos atingir estes níveis e estamos a caminhar para lá”, rematou.

Investimento no sector

A ministra das Pescas anunciou igualmente o início para o próximo ano das obras de construção do Centro de Maricultura em Luanda, em parceria com a Coreia do Sul, para a implementação do projecto de repovoamento do carapau.

“Está previsto também a construção de um novo centro de larvicultura, no Cuando Cubango, a implementação de um pólo de aquacultura no Cuanza Norte e Cuanza Sul e a construção de fábrica de ração em Malanje”, anunciou a ministra das Pescas, acrescentando que é construído também um entreposto frigorífico e uma ponte cais de grande dimensão e a reabilitação de fábricas de conservas, farinha de peixe e de congelação no município do Tombua, no Namibe.

Durante este ano, a produção atingiu mais de 363 mil toneladas de pescado diverso pela pesca marítima industrial, semi-industrial e artesanal até ao terceiro trimestre. “A aquacultura registou, até Setembro, uma produção de 540 toneladas de pescado”, disse a governante, que garantiu continuar a trabalhar no sentido de dinamizar e fazer crescer o sector, em parceria com o sector privado nacional e estrangeiro. (Jornal de Angola)

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