Encontrados 40 mortos a tiros nas ruas da capital do Burundi

(AFP)

Os cadáveres de pelo menos quarenta jovens mortos a tiros foram encontrados na manhã deste sábado nas ruas de Bujumbura, informaram à AFP testemunhas entrevistadas por telefone.

Em vários bairros, os moradores acusavam a polícia de ter prendido na sexta-feira todos os jovens encontrados hoje e de tê-los executado deliberadamente, várias horas após um ataque na noite de quinta-feira por rebeldes de três acampamentos militares na capital do Burundi.

Em Nyakabiga, no centro de Bujumbura, jornalistas e várias testemunhas relataram ter visto 20 corpos de pessoas mortas a tiros, alguns a curta distância.

“Algumas dessas crianças tinham o rosto completamente desfigurado, enquanto em outros, o tiro entrou pela parte superior do crânio, (…), é um horror absoluto, aqueles que fizeram isso são criminosos de guerra”, criticou uma jornalista do Burundi, sob condição de anonimato.

No distrito vizinho de Rohero II, cinco corpos de jovens jaziam em uma de suas principais vias da localidade.

Em Musaga, “contei 14 cadáveres executados esta noite por soldados e polícias”, disse à AFP um funcionário público local sob condição de anonimato, acusando a polícia de continuar a disparar para o ar para impedi-lo de se aproximar de um local onde haveria “muitos corpos”.

“A maioria dos mortos são jovens pais de família que estavam em casa, foi uma carnificina, não há outra palavra”, declarou indignado um morador da Nyakabiga.

Todos asseguram que a maioria das pessoas foram mortas no final da tarde de sexta-feira e na madrugada deste sábado, muito tempo depois dos ataques aos acampamentos militares.

O porta-voz do exército, o coronel Gaspard Bratuza, explicou no Twitter que um “balanço definitivo” das operações em Bujumbura seria comunicado “no decorrer do dia”.

Um porta-voz do exército evocou sexta-feira à tarde um registo de pelo menos 12 agressores mortos e outros 20 capturados, e cinco soldados feridos durante os ataques simultâneos a três acampamentos militares. (AFP)

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