Em posse, Macri pede unidade nacional na Argentina

(AFP)

Sem a presença de Cristina Kirchner, Mauricio Macri pede a colaboração de todos os sectores para garantir a governação do país. Entre as prioridades estão recuperar a economia, lutar contra a pobreza e narcotráfico.

Sem a presença da ex-presidente Cristina Kirchner, Mauricio Macri prestou juramento no Congresso da Argentina nesta quinta-feira (10/12) como novo líder do país. Após a cerimónia e um discurso, Macri seguiu para a Casa Rosada para receber a faixa e o bastão presidencial das mãos do líder do Senado.

Em sua primeira mensagem como chefe de Estado, Macri pediu a unidade de todos os argentinos e a colaboração de todos os sectores, tendo em vista que o novo presidente não terá a maioria no Congresso e deverá buscar um acordo com a oposição para garantir a governação do país. O partido peronista Frente para a Vitória, de Kirchner, detém a maioria dos assentos no Parlamento.

“Os desafios que temos adiante são enormes, e os problemas não poderão ser resolvidos de um dia para o outro, mas as grandes transformações se fazem dando pequenos passos a cada dia”, afirmou Macri no Congresso. “Conto com vocês para governar, necessito da sua contribuição, que mostrem nossos erros porque sabemos que não somos infalíveis.”

Ele frisou, ainda, que o novo governo precisa do apoio de todos, seja de esquerda, direita, dos peronistas e dos antiperonistas. “Isso pode soar estranho depois de anos de confrontos inúteis. Temos que tirar o confronto do centro do palco e colocar neste lugar o encontro, o desenvolvimento e o crescimento”, acrescentou.

“Queremos unidade e cooperação”

Macri, de 56 anos e ex-prefeito da cidade de Buenos Aires, ressaltou que suas ideias centrais são “pobreza zero, derrotar o narcotráfico e unir os argentinos”. Ele também afirmou que pretende combater a corrupção, promover a independência da Justiça, desenvolver uma educação de qualidade e inclusiva, além de universalizar a assistência social.

“Uma mensagem aos nossos irmãos da América Latina e do mundo: temos uma nova visão da política, sem preconceitos nem rancores. Cremos na integração da América Latina e do mundo, queremos a unidade e a cooperação”, afirmou Macri.

Estiveram presentes na cerimónia os presidentes da Bolívia, Evo Morales; do Chile, Michelle Bachelet; da Colômbia, Juan Manuel Santos; do Equador, Rafael Correa; do Paraguai, Horacio Cartes; do Peru, Ollanta Humala; e do Uruguai, Tabaré Vazquez. A presidente brasileira, Dilma Rousseff, perdeu a posse de Macri porque seu avião ficou retido no ar por 20 minutos. O motivo foi a falta da assinatura de um decreto por parte do ministro da Defesa do governo Kirchner, o que fez o avião de Dilma ficar na fila de voos comerciais.

A presidente cessante, Cristina Kirchner, não participou da cerimónia. A decisão foi motivada por uma ordem judicial que antecipou o fim do mandato dela para a meia-noite desta quarta-feira. A disputa começou quando Macri entrou em contacto com Kirchner para pedir que a faixa presidencial e o bastão fossem entregues na Casa Rosada e não no Congresso, o que não foi aceito pela ex-presidente.

Principal tarefa: recuperação da economia

O principal objectivo de Macri é a recuperação da economia, estagnada após 12 anos de kirchnerismo. Para isso, ele incumbiu seis ministérios – das Finanças, Energia, Modernização, Agricultura, Transporte e Produção – e indicou banqueiros e executivos do sector financeiro para seu gabinete.

Entre os novos chefes das pastas está o ministro das Finanças, Alfonso Prat-Gay, ex-presidente do Banco Central da Argentina. Um dos principais desafios dele será aumentar a confiança dos mercados financeiros internacionais perante a Argentina.

Desde o anúncio do calote técnico, em Julho de 2014, o país praticamente não tem mais acesso aos mercados de capitais. Entre as outras tarefas estão a diminuição da inflação anual de mais de 20%, a contenção do crescimento da dívida pública e a estagnação económica.

Macri deseja realizar profundas mudanças na linha económica e política seguida por Cristina Kirchner. Entre as principais inflexões estão impulsionar o Mercosul e o acordo de livre-comércio com a União Europeia e reforçar o intercâmbio comercial, que vem perdendo força, entre Brasília e Buenos Aires.

Antes da vitória da oposição nas eleições parlamentares de 6 de Dezembro na Venezuela, Macri queria accionar a chamada “cláusula democrática” contra Caracas e pedir a suspensão do país governado pelo presidente Nicolás Maduro do bloco sul-americano.

O Brasil é o maior parceiro económico da Argentina. Com a crise em Buenos Aires, as exportações para o vizinho se tornaram irregulares. Em 2000, elas correspondiam a 11,32% e, em 2014, caíram para quase a metade: 6,34%. Mesmo com a intensa relação comercial, os argentinos continuam impondo restrições às importações do Brasil e de outros países do Mercosul. (DW)

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