Em plena crise, Dilma troca ministro da Fazenda

Joaquim Levy (esq.) e Nelson Barbosa durante entrevista coletiva em Brasília, em setembro passado (REUTERS)

Joaquim Levy deixa o cargo após um ano e em meio à escalada das divergências com a presidente. Escolha de Nelson Barbosa, ex-Ministério do Planejamento, como substituto é mal recebida pelos mercados.

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (18/12) que Nelson Barbosa, que estava no Ministério do Planejamento, será o substituto de Joaquim Levy na pasta da Fazenda. A decisão, em pleno auge da crise política e econômica, revela as dificuldades do governo de se equilibrar e colocar o país de volta nos trilhos.

A saída de Levy havia sido acertada para janeiro, mas a presidente resolveu acelerar o processo porque o ministro começou a dar sinais públicos de que estaria deixando o cargo. Desagradou a Dilma também o fato de o ministro ter agido contra a meta de superávit primário mais flexível em 2016.

O Congresso aprovou uma meta menor, de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), e não a de 0,7%, que era defendida por Levy. O discurso dele, voltado apenas para ajustes fiscais, não estaria mais agradando à presidente, que teria pedido declarações mais voltadas para o crescimento.

Levy sempre defendeu que a meta fiscal ficasse em 0,7%, tendo, inclusive, feito um apelo aos líderes partidários, na última segunda-feira, para que trabalhassem pela aprovação de três medidas provisórias que aumentariam receitas, evitando, assim, o corte do Bolsa Família e de outros programas sociais.

A demissão de Levy vem ao encontro da demanda de vários movimentos sociais, que criticavam a condução do ajuste em prejuízo a direitos dos trabalhadores. Levy, que ocupou o cargo por menos de um ano, foi o responsável pela execução de medidas de ajuste fiscal do governo praticadas nos últimos meses, algumas das quais ainda não foram aprovadas pelo Congresso Nacional.

Em meio à instabilidade, o Brasil perdeu o grau de investimento pelas agências de classificação de risco Fitch e Standard & Poor’s neste ano, apesar de a escolha de Levy ter sido recebida como uma tentativa de agradar aos mercados.

A ida de Barbosa para o Ministério da Fazenda não foi bem aceita pelos mercados. A Bovespa despencou quase 3%, e o dólar subiu 1,4%, para 3,949 reais, o maior valor desde 1º de outubro.

Histórico no governo

Ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Barbosa deixou o cargo ao lado do então ministro, Guido Mantega, em 2013. Durante a participação no primeiro governo Dilma, elaborou estudos de medidas de desoneração para estimular a economia e formulou uma minirreforma tributária para acabar com a guerra fiscal entre os estados.

No início deste ano, substituiu a então ministra Miriam Belchior como titular do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Antes, havia participado da equipe econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva em outros ocasiões. Em 2003, integrou a equipe de Guido Mantega no Planejamento. De 2004 a 2006, trabalhou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), também junto com Mantega.

Barbosa também esteve à frente da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, em 2007 e 2008, e da Secretaria de Política Econômica, de 2008 a 2010. Ele é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutor em economia pela New School for Social Research, nos Estados Unidos.
Para o seu lugar no Ministério do Planejamento, Dilma nomeou o atual ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão.

“Hoje nosso maior desafio é o desafio fiscal. A solução depende somente do Estado brasileiro. Os três poderes que formam o governo federal têm todas as condições de solucionar a situação”, disse o novo ministro da Fazenda. “Estamos também empenhados na redução da inflação.”

Para o seu lugar no Ministério do Planejamento, Dilma nomeou o atual ministro da Controladoria Geral da União (CGU), Valdir Simão. (DW)

RPR/rtr/abr

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