Eleições na República Centro-Africana para pôr fim à crise

(AFP)

A República Centro-Africana realiza eleições presidenciais e legislativas no domingo (27.12). País vive violentos confrontos inter-religiosos e instabilidade desde que o Presidente François Bozizé foi derrubado em 2013.

Desde Janeiro que a República Centro-Africana é dirigida pela cristã Catherine Samba-Panza e pelo primeiro-ministro muçulmano Mahamat Kamoun. Mas o período de transição, que vigora no país, deve terminar em breve, considera Susanne Stollreiter da representação da Fundação alemã Friedrich-Ebert nos Camarões.

“Há caos no país e a grande esperança é que seja eleito um Governo adequado e que possa governar com legitimidade, ao invés de um Governo que não foi eleito democraticamente e que age sob influência dos doadores internacionais”, afirma.

Para Susanne Stollreiter, o candidato mais promissor é o antigo primeiro-ministro Martin Ziguélé, do MPLC, um partido social-democrata que formou Governo em 1990. O favorito dos muçulmanos é o ex-ministro Karim Meckassoua. Apesar de não serem caras novas, os dois candidatos são os favoritos da população.

Resultados difíceis de prever

As promessas eleitorais dos candidatos são semelhantes: paz, crescimento e reconstrução. Os resultados das eleições são difíceis de prever, considera Tim Glawion, do Instituto de Estudos Globais e Regionais (GIGA), em Hamburgo, Alemanha. “Não podemos tirar conclusões das últimas eleições de 2010 porque foram completamente manipuladas. E não podemos contar com sondagens eleitorais porque elas não existem”.

Tim Glawion espera que o MPLC, o partido de Martin Ziguélé, consiga muitos assentos no Parlamento. O investigador acredita que o antigo partido do Governo conseguiu restabelecer-se. Mas, para que isso se verifique, as eleições teriam de ser livres.

Glawion não acredita que actualmente exista no país um partido com influência suficiente para falsificar os resultados eleitorais, mas vê problemas na organização do processo.

No nordeste do país, maioritariamente muçulmano e onde a rebelião surgiu há três anos, as eleições poderão nem se realizar. “Ainda há milícias na estrada, que são contra as eleições e que eventualmente as poderão boicotar através da violência. E também há muitos refugiados que não podem votar”, refere.

Insegurança

A uma semana das eleições na República Centro-Africana, fora das cidades pouco se via da campanha eleitoral. Embora a União Africana (UA) fale de sucesso na preparação do escrutínio, com base numa taxa de recenseamento de 90% dos eleitores, isso não significa que a ida às urnas será um sucesso. Há receios de que as eleições do próximo domingo sejam marcadas por violência e que, por isso, a afluência às urnas seja fraca.

Capacetes azuis deverão garantir a segurança (AFP)
Capacetes azuis deverão garantir a segurança (AFP)

No referendo do passado dia 13 de Dezembro para revisão da Constituição apenas 30% da população foi às urnas. A insegurança que se vive no país terá ditado a fraca afluência. Cerca de 900 soldados franceses e tropas da força de paz das Nações Unidas (MINUSCA) foram destacados para garantir a segurança. Durante o referendo foram registados confrontos armados.

A nova Constituição da República Centro-Africana foi aprovada por 93% dos participantes, segundo os resultados provisórios divulgados pela Autoridade Nacional das Eleições (ANE). O “sim” obteve 93% e o “não” 7%. (DW)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA