Eleições Legislativas na Venezuela: Opositores derrotaram “chavistas” e obtiveram maioria parlamentar

(REUTERS/Carlos Garcia Rawlins)

Ao fim de 16 anos de luta política na Venezuela, a aliança de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD), conseguiu derrotar os “bolivaristas”, nas eleições legislativas que tiveram lugar, ontem na Venezuela, conquistando 99 assentos na Assembleia Nacional enquanto o partido do ex-Presidente Hugo Chávez se ficou apenas pelos 47 lugares.

Segundo as agências internacionais de notícias, os habitantes dos bairros que apoiaram a Mesa Unidade Democrática, comemoraram até altas horas da madrugada com fogos-de-artifício, enquanto os apoiantes do governo “chavista”, tiveram que desmontar todos os palcos que tinham nas principais artérias de Caracas, que estavam preparados para festejar uma vitória que não surgiu.

Aliás, foi perante os jornalistas estrangeiros presentes no palácio Miraflores que o Presidente Nicólas Maduro, reconheceu publicamente a derrota. A pior para o “chavismo bolivarista”, desde que Hugo Chávez, assumiu o poder em 1999.

“Estamos aqui, com moral e ética, para reconhecer estes resultados eleitorais adversos, aceitá-los e dizer à nossa Venezuela que a Constituição e a democracia triunfaram. A guerra económica triunfou nas eleições legislativas de hoje!”, afirmou o Presidente Nicólas Maduro num discurso que fez à nação venezuelana.

Maduro tentou culpabilizar alguns líderes empresariais por terem conseguido sabotar a economia do país e terem influenciado no resultado eleitoral, mas a verdade é que segundo os observadores internacionais, os eleitores ocorreram às urnas com vontade de mudar o rumo do país.

A rapidez com que o Presidente Nicólas Maduro aceitou a derrota eleitoral serviu para amenizar as tensões entre apoiantes do “chavismo” e da Mesa Unidade Democrática. É que aquando das últimas eleições presidenciais, em 2013, registaram-se 43 mortes nos conflitos que ocorreram entre apoiantes de Maduro e dos outros candidatos.

Alguns países da América Latina estão a mudar radicalmente de políticas. Pois, no dia 22 de Novembro, Maurício Macri, do centro de direita, venceu as eleições presidenciais na Argentina, conseguindo pôr um ponto final a 12 anos de “kirchnerismo”. Macri assumirá a presidência no próximo dia 10 de Dezembro e promete um novo rumo para a economia argentina.

A oposição, que era apontada como a grande favorita, beneficiou do forte descontentamento popular na Venezuela com uma crise económica provocada pela queda do preço do petróleo. O país, de 30 milhões de habitantes, detém das maiores reservas de crude do mundo, mas está actualmente a braços com uma situação de escassez de alimentos e bens de primeira necessidade.

por José Valentim Peixe

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