Eleição deixa Parlamento fragmentado na Espanha

(REUTERS)

Madrid pode estar diante de guinada política: resultado do pleito legislativo aponta que nenhum dos partidos obteve a maioria absoluta na Câmara de Deputados. Apesar de vitória, governistas terão de fazer coligações.

Após a contagem de mais de 84% dos votos das eleições legislativas realizadas neste domingo (20/12), o Partido Popular (PP), do primeiro-ministro Mariano Rajoy, conseguiu 122 assentos no Parlamento em Madrid, seguido da legenda de centro-esquerda Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), com 93.

Em terceiro lugar, vêm os esquerdistas do Podemos (contando com outras três formações apoiadas pelo partido na Galicia, Catalunha e Comunidade Valenciana), com 69 parlamentares. A legenda de centro-direita Ciudadanos vem em quarto, com 38 deputados.

Assim, caso esse cenário se confirme, nenhum dos partidos consegue sozinho a maioria absoluta de 176 cadeiras na Câmara de Deputados de 350 assentos. Apenas uma grande coligação entre o PP e o PSOE tornaria isso possível. Em outros cenários, o PP ou o PSOE teriam de fazer acordos com mais de um dos pequenos partidos regionais ou nacionalistas.

Alguns analistas acreditam que acordos secretos já foram fechados entre PSOE, Ciudadanos e Podemos para uma coalizão tripartidária com o objetivo de manter o PP longe do poder.

O PP (e a formação de direita que o antecedeu) e o PSOE revezam-se no poder na Espanha desde 1982, ainda que em várias ocasiões tenham contado com um ou mais dos pequenos partidos (os nacionalistas bascos do PNV ou os catalães da CiU) para conseguir a maioria absoluta.

O “número dois” do Podemos, Íñigo Errejón, considerou hoje que “acabou o sistema da rotação, o bipartidarismo” na Espanha, num primeiro comentário aos resultados das eleições gerais. “Espanha já mudou”, assegurou Errejón, que comandou a campanha do Podemos. (DW)

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