“É urgente criar condições para exportar”, diz Vicente P. de Andrade

O economista Vicente Pinto de Andrade. (Foto: D.R.)

O economista Vicente Pinto de Andrade defendeu, na passada sexta-feira, que o país deve centrar- se nas matérias-primas que possui de forma a poder exportar bens de amplo consumo.

“Ao invés de estarmos a exportar matérias-primas, devemos acrescentar valor, transformar e criar condições para que possamos ser exportadores de bens de amplo consumo para a Ásia e os países Africanos”, disse.

A afirmação de Vicente Pinto de Andrade foi proferida durante a apresentação do relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) intitulado “Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana” apresentado pelo CEIC na Universidade Católica de Angola, em Luanda. O também professor universitário explicou ainda, a título de exemplo, que a Etiópia é “um país que neste momento está a transformar-se numa fábrica de bens de alto consumo procurando competir com a China”.

Para o economista, Angola pode seguir as pisadas da Etiópia, porque “há empresários angolanos com muito dinheiro que deveria ser investido”. E, acrescentou, “acho que o problema não é a falta de recursos. Durante estes anos, a renda petrolífera deu muito dinheiro para o país, agora trata-se de utilizar estes recursos aqui no país na perspectiva de desenvolver o empresariado nacional”. Por sua vez, o representante do Fundo Monetário Internacional, Max Alier, defendeu igualmente que a diversificação da economia é o caminho para os países africanos que dependem do petróleo, como é o caso de Angola. Na sua intervenção, o representante do FMI em Angola disse que a economia na África subsariana não se vai ajustar em 2016 e alertou os países para apostarem fortemente na diversificação da economia.

Max Alier disse ainda que o tema das commodities é de grande actualidade devido a estarem a passar por um período de fraqueza em termos de preços e, apesar de reconhecer que o processo de diversificação da economia não é um processo para ser completado em um ano, acrescentou que é uma algo que vai acontecer ao longo do tempo.

O representante do FMI realçou também que a economia só vai recuperar no continente africano em 2017. Mas, frisou que o essencial é, por um lado, levar para a frente a diversificação da economia e ir posicionando o país para poder tirar vantagens quando a recuperação acontecer, e por outro lado, conseguir produzir produtos básicos para o mercado doméstico como alimentos aumentando assim as exportações.

Max Alier afirmou ainda que o maior desafio que Angola tem, em termos de diversificação, é o facto do sector não petrolífero ter custos altos e um nível de produtividade relativamente baixo. Desse modo, os recursos da economia tendem a ser absorvidos pelo sector petrolífero. “ A nossa recomendação é que as políticas estejam focadas nestas duas áreas: redução de custos e aumento de produtividade do capital e do trabalho”.

Elementos importantes para redução dos custos, de forma a facilitar fazer negócios em Angola, são a melhoria do ambiente de negócios e a redução da burocracia e dos excessivos processos administrativos. A Delegação do FMI e o CEIC apresentaram, pela primeira vez em Angola, na Universidade Católica, o relatório do FMI sobre “Perspectivas Económicas Regionais da África Subsariana”. (semanarioeconomico)

Por: Sónia Cassule

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