Crise tira angolanos ao Natal português, mas ainda há 150 a pedir visto todos os dias

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O consulado-geral de Portugal em Luanda recebeu desde novembro 5.447 pedidos de visto, uma quebra de 17,6% face a 2014 explicada pela crise em Angola, sobretudo pela falta de divisas.

O consulado-geral de Portugal em Luanda recebeu desde novembro 5.447 pedidos de visto, uma quebra de 17,6 % face a 2014 explicada pela crise em Angola, sobretudo pela falta de divisas.

Os números foram avançados à agência Lusa por fonte consular e dizem respeito ao período entre 1 de novembro e 08 de dezembro, quando, por norma, milhares de angolanos avançam com pedidos de visto para viajar para Portugal, a tempo da quadra natalícia.

Em praticamente seis semanas, o consulado de Luanda, o que mais movimento regista na rede consular portuguesa, recebeu 5.446 pedidos e emitiu 4.372 vistos, uma redução respetiva de 17,6% (6.612 pedidos em 2014) e 10,5% (4.883 emitidos).

Ainda assim, para o período de Natal, aquele consulado está a registar uma média de cerca de 150 pedidos de visto por dia.

Angola vive uma forte crise financeira e económica provocada pela quebra com as receitas da exportação de petróleo, devido à descida do preço do barril de crude no mercado internacional, o que por sua vez fez diminuir a entrada de divisas no país.

Para complicar a situação, bancos norte-americanos suspenderam a venda de dólares a Angola, por suspeitas de branqueamento e financiamento a terrorismo a partir do país, levando os bancos angolanos a limitar e mesmo travar a venda de divisas aos balcões.

A falta de divisas e a crise que se agudizou nos últimos meses explicam assim esta forte quebra de pedidos de visto em Angola no período de Natal, depois de sucessivos crescimentos.

Além da falta de moeda estrangeira – é praticamente impossível trocar kwanzas fora de Angola -, os angolanos enfrentam a crise no país, com taxa de inflação a crescer a dois dígitos no último ano, várias empresas com salários em atraso, obras paradas e até o Estado a pagar o subsídio de Natal em três tranches mensais.

Apesar do momento atual, nos totais do ano, e sobretudo influenciados por um forte crescimento no período do verão, o consulado-geral de Luanda recebeu, entre 01 de janeiro e 08 de dezembro, 56.046 pedidos, tendo emitido 47.924 vistos, aumentos homólogos respetivamente de 1,8% (55.072 pedidos em 2014) e 7,1% (44.730 emitidos).

A estrutura do consulado-geral de Portugal em Luanda manteve-se em 2015 com 25 funcionários, além de um cônsul-geral e um cônsul-geral adjunto.

O Governo português anunciou em agosto de 2014 a introdução em curso de “alterações muito significativas” no consulado em Luanda, com recurso a serviços externos e contratações locais para conseguir responder à procura.

Em Luanda, o consulado português com maior movimento de vistos em todo o mundo, foi criado um “call center” com 16 novos funcionários, recrutados através de uma empresa externa, que completam o trabalho dos restantes.

Só em julho de 2014, o consulado-geral de Luanda registou um pico de 375 pedidos de vistos por dia, o que levou ao atraso nos processos pela falta de capacidade de responder à procura. (OBSERVADOR)

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