Crise de valores

VÍCTOR ALEIXO Director da Revista Figuras & Negócios (Foto: D.R.)

Criou-se outro filão de negócios e os de cima, que detêm o poder, fingem que não sabem ou ignoram. O pacato cidadão que um dia acreditou na verticalidade do sistema bancário angolano, depositou o seu dinheiro no banco, em kwanzas e/ ou em divisas mas agora que quer utilizar aquilo que é dele, que quer levantar o seu dinheiro, terá de pagar “uma comissão” por fora ao funcionário do banco se quiser ver satisfeito o seu desejo.

Em surdina comenta-se, condena-se mas do alto da cátedra, de quem tem o poder para colocar a ordem no circo, não surge as medidas disciplinadoras enérgicas que se impõem.

Parece que os poderes instituídos apenas agora se aperceberam que a crise de valores na Sociedade conseguiu construir prédios altos pelo que agora se aceleram terapias de choque que, mesmo assim, não se conhecem ainda ideias e sentimentos sincronizados que possam levar a diminuir o choque bem visível que Angola hoje conhece.
Muito grave e que hoje já não se pode ignorar, é que se está a consolidar no País uma classe de endinheirados e arrogantes-geralmente são epítetos que facilmente se familiarizam, -e a procissão desse processo se faz debaixo dos cobertores do poder do estado. Os endinheirados e arrogantes infiltram-se fundamentalmente na função pública e, a partir daí, conseguem montar o cenário para o seu enriquecimento fácil.

Vale tudo: são as comissões cobradas por serviços que ética e profissionalmente deveriam prestar e não prestam, fazem tudo  “por obrigação”, falsificam ou mandam falsificar facturas com valores avultados por serviços prestados e, regra geral, têm comportamentos arrogantes sobretudo quando vestem a capa da doctormania por terem “passado” por uma universidade-que agora surgem em todos os cantos como se fossem cogumelos, mas não sabem lidar com as pessoas.
É essa a realidade nua e crua que o País tem onde Luanda é a melhor montra. Perderam-se os valores de um Estado de bem que um dia acreditamos construir mas que fomos ultrapassados por ladrões-é esse o termo-que se arvoram como os melhores porque quantas vezes se entrincheiram, como bajuladores, na política, fingindo-se defensores acérrimos do Partido no poder.

Nada mais são do que bajuladores e por isso mesmo perigosos que trocam de camisola de acordo com o momento.
Olhe-se para a pouca vergonha que se passa no sector bancário. Uma volta rápida pelas cadeias e facilmente encontramos centenas de jovens detidos ou presos por desviarem dinheiro das contas dos clientes ou engendraram outros quejandos para satisfazer os seus apetites vorazes que o mundo consumista apressado obriga.

E como se não bastasse, agora o Estado, através do Banco Nacional de Angola, e com ramificações nos diferentes bancos comerciais, impôs medidas restritivas quanto ao levantamento de divisas. E o quê que isso deu? Criou-se outro filão de negócios e os de cima, que detêm o poder, fingem que não sabem ou ignoram.

O pacato cidadão que um dia acreditou na verticalidade do sistema bancário angolano, depositou o seu dinheiro no banco, em kwanzas e/ ou em divisas mas agora que quer utilizar aquilo que é dele, que quer levantar o seu dinheiro, terá de pagar “uma comissão” por fora ao funcionário do banco se quiser ver satisfeito o seu desejo.

Em surdina comenta-se, condena-se mas do alto da cátedra, de quem tem o poder para colocar a ordem no circo, não surge as medidas disciplinadoras enérgicas que se impõem.
Lembro-me que ontem, na altura da proclamação da independência nacional, era comum ouvir-se dizer que “isto aqui não será Congo”, numa clara alusão ao que pretensamente se realiza naquele país vizinho onde tudo é desorganização, esquemas, salve-se quem poder,.. E agora, afinal, o que é isto que todos os dias verificamos e vivemos no nosso país? Crise de valores autêntica, meus senhores, que é perigoso crescer mais.  (figuras&negocios)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. INTERRESSANTE ESTE ARTIGO, MUITO ARROJADO. É ENCORAJADOR VERMOS ALGUÊM IMPORTANTE NA SOCIEDADE COM RESPONSABILIDADES ACRESCIDAS, NÃO SER UM LAMBE BOTAS. MUITO OBRIGADO.

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