Corte Suprema do Panamá ordena detenção do ex-presidente Martinelli

Ex-presidente Martinelli (AFP)

A Corte Suprema do Panamá ordenou a detenção por espionagem do ex-presidente Ricardo Martinelli, que se encontra em paradeiro incerto e que reagiu nesta terça-feira em um tuíte afirmando ser alvo de um julgamento político.

“É ordenada a detenção provisória de Martinelli”, disse o magistrado Luis Carrasco ao anunciar a decisão adoptada pela Corte na noite de segunda-feira, após uma audiência de sete horas.

Martinelli é alvo desta ordem de prisão depois de ter sido declarado no dia 11 de Dezembro à revelia por não ter se apresentado a uma audiência do processo que o acusa de espionagem a opositores durante seu governo (2009-2014).

“Sua ausência impede o desenvolvimento e a finalização deste processo”, acrescentou.

Martinelli havia abandonado o Panamá em Janeiro, um dia após a Suprema Corte iniciar investigações por outro caso de suposta corrupção. O ex-presidente direitista pegou um avião com destino à Florida, mas seu paradeiro actual é desconhecido. No entanto, meios de comunicação locais afirmam que ele permanece nos Estados Unidos.

Nesta terça-feira, poucas horas após a justiça panamense ordenar sua detenção, Martinelli tuitou: “Round 1 de julgamento político: sem estar em processo, sem acusação, sem a devida notificação e sem condenação é ordenada a prisão preventiva”.

Martinelli, de 63 anos, é acusado, junto a outros dirigentes das forças de segurança, de interceptar as comunicações de 150 pessoas, entre empresários, jornalistas, dirigentes da sociedade civil e políticos opositores ao seu governo.

O ex-presidente também é investigado pela Suprema Corte pelo suposto super-facturação em um contrato de 45 milhões de dólares para a compra de comida desidratada para escolas públicas.

Martinelli, um magnata do sector de supermercados que alcançou a presidência prometendo uma cruzada contra a corrupção, é mencionado em outra dezena de casos que a justiça investiga relacionados a crimes financeiros, compras com sobre-preços e cobranças de comissões pelo pagamento de impostos.

No entanto, o ex-presidente e seus seguidores alegam que se trata de uma perseguição política de seu sucessor, Juan Carlos Varela, antigo aliado de Martinelli até que o afastou de seu cargo de chanceler em 2011.

Além de Martinelli, também são processados dois ex-secretários do Conselho de Segurança, Alejandro Garúz e Gustavo Pérez, que estão detidos desde Janeiro à espera de um julgamento programado para março de 2016.

O ex-presidente é julgado pela Suprema Corte – e não por um tribunal inferior – devido a sua condição de deputado do Parlamento Centro-americano.

A defesa de Martinelli, liderada pelo ex-procurador-geral Rogelio Cruz, tentou frenar o pedido de detenção apresentando um recurso de inconstitucionalidade, que foi rejeitado pela Corte. (AFP)

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