Ciência: Alemanha testa reactor que pode revolucionar setor energético

(DPA)

Após 19 anos de construção, cientistas põem o reactor Wendelstein 7-X pela primeira vez em funcionamento, no Instituto Max Planck. Tecnologia pode ajudar a resolver a crescente demanda por energia limpa no mundo.

O reactor de fusão nuclear Wendelstein 7-X levou 19 anos para ser construído, e foi testado pela primeira vez nesta quinta-feira (10/12), no Instituto Max Planck de Física do Plasma (IPP), em Greifswald, nordeste da Alemanha. A tecnologia é considerada um passo decisivo na busca por uma energia limpa e renovável.

“Hoje é um grande dia”, afirmou Sibylle Günter, directora científica do IPP. “Esperamos muito tempo para dar início ao sistema, e o resultado foi incrível”, disse, por sua vez, o cientista Novimir Pablant, da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, que também participou dos estudos.

O Wendelstein 7-X custou 1 bilião de euros para ser construído, e demandou 1,1 milhão de horas de trabalho. Com mais de 16 metros de diâmetro, o equipamento – que mais parece uma nave espacial –, é o maior reactor do mundo de seu tipo, conhecido como stellarator.

O objectivo da tecnologia é simular as grandes reacções energéticas que acontecem no interior das estrelas. Segundo os cientistas, seria como reproduzir o calor do sol em laboratório.

Em resumo, o reactor utiliza deutério e trítio, dois isótopos do hidrogénio, para formar um átomo de hélio. O processo, que ocorre a uma temperatura de 100 milhões de graus Celsius – sete vezes a temperatura do núcleo do sol –, libera quantidades imensas de energia.

Para funcionar, é preciso confinar esse plasma incrivelmente quente em uma espécie de jaula magnética, formada por 50 bobinas de seis toneladas cada, todas retorcidas. Resfriadas a menos 270 graus Celsius, essas bobinas servem para impedir o derretimento da estrutura do reactor.

Segundo o IPP, um grama de hidrogénio poderia gerar 90 mil quilowatts-hora de energia – a mesma quantidade produzida pela combustão de 11 toneladas de carvão. Ou seja, a tecnologia superaria todas as antigas fontes energéticas, como o petróleo e o próprio carvão.

O reator Wendelstein 7-X durante sua construção, que levou quase duas décadas (DPA)
O reator Wendelstein 7-X durante sua construção, que levou quase duas décadas (DPA)

No teste desta quinta-feira, dez miligramas de hélio foram aquecidos a um milhão de graus Celsius e levadas a estado de plasma, mantendo-se assim por 50 milissegundos.

O objectivo dos cientistas é de que o Wendelstein 7-X consiga manter o plasma por 30 minutos, mas esse feito não deve ser conquistado antes de 2017. Especialistas calculam que o mundo só contará com a distribuição comercial desse tipo de reactor por volta de 2050.

Fissão ou fusão?

De acordo com os cientistas, há várias vantagens na produção de energia por fusão nuclear em comparação com a fissão nuclear – princípio utilizado em usinas nucleares.

A principal delas é o combustível. O hidrogénio e seus isótopos estão presentes em grandes quantidades na natureza, são um recurso praticamente inesgotável e não causam dependências geográficas, como no caso do petróleo. O deutério, por exemplo, é abundante na água do mar.

Na fusão nuclear, não há emissão de gases causadores do efeito estufa ou a possibilidade de uma reacção em cadeia que possa escapar do controle.

Em comparação com a fissão, a tecnologia resulta ainda em lixo atómico menos abundante e com um período de meia-vida consideravelmente menor. (DW)

EK/dpa/ots

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