China aumentará presença militar em África?

(DW)

Analistas consideram que, à medida que China e África estreitam laços económicos, o gigante asiático poderá mudar a sua política externa e aumentar a sua presença militar no continente para salvaguardar interesses.

Especialistas acreditam que Pequim poderá abandonar lentamente a tradicional postura de não intervenção para proteger os seus interesses económicos.

Historicamente, a China tem dado apoio militar aos países africanos nos bastidores, fornecendo armas e formação. Contribuiu para as lutas de libertação do Zimbabué, Argélia, Angola e Moçambique, por exemplo.

Agora, prevê-se a construção de um centro de logística naval chinês no Djibuti, na região do Corno de África. Segundo as autoridades chinesas, a instalação poderá facilitar as operações de reabastecimento de navios do país e servir de apoio aos oficiais e marinheiros que participam nas missões anti-pirataria no Golfo de Áden.

As autoridades chinesas salientam que o centro militar no Djibuti não se compara às bases dos Estados Unidos da América e da França. No entanto, a obra levanta a questão sobre se Pequim irá estabelecer no futuro bases militares no exterior – algo, que, até ao momento, se recusou a fazer.

Proteger interesses económicos

A China demonstra cade vez mais interesse em África, económica e diplomaticamente. Na semana passada, durante o Fórum de Cooperação África-China, o gigante asiático anunciou quase 60 mil milhões de euros em assistência e empréstimos aos países africanos para os próximos três anos.

“A expansão económica da China em África explica a sua posição estratégica militar para defender os seus interesses. Se um inimigo atacar os interesses chineses em África estará a atingir o seu epicentro económico”, diz Nelson Alusala, investigador no Instituto de Estudos de Segurança, na África do Sul.

Segundo Alusala, a China continuará a apostar numa diplomacia preventiva, “mais de dissuasão do que para lidar com alguma crise. A China não mudará a sua postura para uma diplomacia de agressão.”

Prontidão da China para intervir posta à prova

Quando estalou o conflito na Líbia, há quatro anos, a China realizou a maior operação de resgate de sempre para retirar do país 36 mil cidadãos chineses.

Recentemente, a morte de três empresários chineses no ataque de militantes islâmicos contra um hotel da capital do Mali colocou mais pressão sobre Pequim para responder a este tipo de incidentes.

Até agora, a China tem contado apenas com os governos locais para proteger os seus cidadãos em África. Mas esta estratégia poderá ter os dias contados:

“O nível de segurança em alguns países africanos é preocupante. Por isso, a China irá focar-se mais na proteção de civis para a cooperação no futuro. A China tem sido muito cautelosa no que diz respeito ao combate ao terrorismo em África”, diz Liu Hongwu, diretor do Instituto de Estudos Africanos na Universidade Zhejiang Normal, na China.

700 soldados chineses integram a missão de paz das Nações Unidas no Sudão do Sul, país de onde obtém cerca de 5% das suas importações de petróleo.

Direitos humanos

Os críticos costumam apontar o dedo à China por fornecer armas a regimes com um historial de desrespeito pelos direitos humanos. Tradicionalmente, Pequim não questiona a integridade e os valores democráticos dos seus parceiros.

Contudo, segundo Ross Anthony, diretor do centro de Estudos Chineses na Universidade de Stellenbosch, na África do Sul, seria injusto criticar somente a China:

“Há países ocidentais que apoiam abertamente certos ditadores africanos e, no entanto, apresentam-se como campeões da democracia”, afirma Anthony.

Outros observadores preferem não dramatizar uma maior presença militar chinesa. O investigador Liu Hongwu lembra que “todas as operações de paz levadas a cabo por chineses foram a convite das Nações Unidas e de países africanos. A presença militar chinesa em África é muito reduzida. Tanto os Estados Unidos como a França já montaram bases militares em África.” (DW)

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