CEDEAO recomendou proibição de véu integral

O presidente senegalês Macky Sall foi um dos grandes mentores da proibição do véu integral (AFP FOTO / THOMAS SAMSON)

A CEDEAO, Comunidade económica dos Estados da África ocidental, preconizou a proibição na semana passada de qualquer traje que ao cobrir por completo o corpo impeça a sua identificação. Em causa o facto de mulheres kamikazes terem protagonizado na região vários atentados suicidas com a burka, ou o véu integral.

Trata-se de uma medida sem precedentes numa região com muitos países de maioria muçulmana.

Uma medida que foi tornada pública em Abuja, na Nigéria, na cimeira regional, um país alvo da acção do grupo extremista islâmico Boko Haram.

O movimento, particularmente activo desde 2009, repudia qualquer influência ocidental e tem levado atentados mortíferos com recurso a mulheres, adolescentes e crianças muitas vezes transportando explosivos.

Ataques que partindo do norte da Nigéria alastraram até ao Chade, ao sudeste do Níger e até ao norte dos Camarões.

Na região o Chade foi o primeiro país a banir o véu integral em Junho, no mês seguinte os Camarões e o Níger adoptaram medidas semelhantes.

A CEDEAO alega que “certos trajes impossibilitam a identificação dos indivíduos e podem ser um entrave à realização de acções preventivas para a segurança das pessoas e bens”, daí o apelo a que os países possam agir em função das duas “realidades nacionais”.

Anselmo Lopes, crente muçulmano cabo-verdiano, reage a esta medida regional e alega que não obstante o véu ser uma tradição muçulmana (porém o véu integral não é uma obrigação) é compreensível a aposta na luta contra o terrorismo, prática também condenada pelo Islão. (RFI)

por Miguel Martins

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