Candidatos à Presidência portuguesa prudentes sobre Angola

O candidato social-democrata Marcelo Rebelo de Sousa está à frente nas sondagens (DW)

Os candidatos às eleições presidenciais portuguesas, previstas para 24 de janeiro, não estão alheios ao que se passa em Angola em matéria de Direitos Humanos. Mas evitam falar sobre a situação no país.

Confrontada pela DW África sobre práticas que retratam o abuso dos direitos fundamentais em Angola, a postura adotada por Maria de Belém é de prudência.

“Todos nós temos que fazer um caminho no sentido de aprofundar a maneira como lidamos com os Direitos Humanos”, comenta a candidata socialista, antiga ministra da Saúde e ex-deputada. “Portanto, aquilo que desejo, no respeito pela autonomia do Estado angolano, é que também façam um percurso no sentido do aprofundamento dos Direitos Humanos.”

Candidata socialista Maria de Belém (DW)
Candidata socialista Maria de Belém (DW)

Portugal também tem de fazer esse percurso em muitos aspetos, acrescenta Maria de Belém, que se considera uma clara defensora dos direitos fundamentais.

Vários casos de abuso dos Direitos Humanos em Angola , incluindo a recente prisão e julgamento dos 15+2 jovens ativistas, acusados de envolvimento na preparação de um golpe de Estado para destituir o Presidente José Eduardo dos Santos, ganharam eco em Portugal depois da greve de fome do luso-angolano Luaty Beirão, que durou 36 dias.

Inquirida sobre o caso, Maria de Belém evita tecer comentários: “Eu não tenho informação completa sobre isso e considero que, da mesma maneira que, em Portugal, nem candidatos nem Presidentes se devem imiscuir na função judicial, muito menos eu o faria em relação a um país estrangeiro.”

Rebelo de Sousa evitar falar sobre Angola

O académico Marcelo Rebelo de Sousa, outro candidato às eleições presidenciais em Portugal, também mede as palavras quando se trata de falar dos Direitos Humanos em Angola.

O candidato, à frente nas sondagens, ligado à família social-democrata considera que os Estados irmãos de língua portuguesa devem sempre ir mais longe no fortalecimento dos valores da democracia e de respeito dos Direitos Humanos.

“Todos nós que estamos irmanados por esta língua comum acreditamos que a dignidade da pessoa está acima de tudo e a construção desses direitos é um desafio constante, permanente”, afirmou Rebelo de Sousa.

O ex-comentador televisivo evita tocar em concreto no caso de Angola.

“Claro que, podendo vir a ser, dento de umas semanas, se for esse o voto dos portugueses, Presidente da República de Portugal, naturalmente que tudo o que disser e fizer é dito e feito no sentido de ajudar a criar mais democracia em todo o mundo que fala português, incluindo Portugal – dando mais qualidade à democracia em Portugal.”

Marcelo Rebelo de Sousa e Maria de Belém, que já se encontraram com as associações representativas das comunidades imigrantes radicadas em Portugal, também são apologistas de mais medidas para uma integração plena. Rebelo de Sousa defende até mais direito de representação política a vários níveis para aqueles que vivem e trabalham no país há já vários anos.

Maior representação

No âmbito de um convívio com as comunidades africanas em Lisboa, António Sampaio da Nóvoa, lamentou, em entrevista à DW África, o facto de muitos eleitores não se sentirem representados.

Candidato independente António Sampaio da Nóvoa durante encontro com comunidades imigrantes (DW)
Candidato independente António Sampaio da Nóvoa durante encontro com comunidades imigrantes (DW)

“[A política] não representa as suas culturas, as suas maneiras de pensar, as suas vontades. Os políticos não se podem substituir nem às pessoas, nem às comunidades. Têm de ser capazes de dar um espaço para que essas comunidades se possam expressar nas suas vozes, nas suas vontades, nas suas ideias. É esse o grande exercício da política no século XXI. Ainda não chegámos lá.”

Quarenta anos depois das independências africanas, o professor universitário Sampaio da Nóvoa sustenta que, depois de um período em que Portugal olhou bastante para a Europa, o país deve agora entrar num novo ciclo mais equilibrado e prestar mais atenção à sua relação com os países de língua portuguesa em África, na América e na Ásia. (DW)

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