Bernarda Martins: “Indústria pode mudar perfil da economia”

(Foto: Angop)

O Ministério da Indústria promove a segunda edição da Expo Indústria, enquadrada nas comemorações do 40.º Aniversário da Independência Nacional, de 10 a 13 de Dezembro no World Trade Center, em Viana.

O evento está na base da entrevista concedida ao Jornal de Angola pela ministra Bernarda Martins, na qual fala dos propósitos desta edição da principal mostra do sector, que, com mais de uma centena de expositores, tem como lema “Indústria Nacional Motor da Mudança”.

Jornal de Angola: Quais as expectativas para a edição deste ano?

Bernarda Martins: Este evento vem realçar o que de melhor se faz na indústria angolana. Os melhores produtos e as boas práticas estão aqui representados através das suas mais representativas empresas do sector da indústria. Mais uma vez, este será um espaço de debate, diálogo e conhecimento recíproco entre o sector e todos os visitantes. Em termos de visitantes, a expectativa é triplicar o número face ao registado no ano passado. Em 2014, na sua primeira edição, durante os dois dias do evento, passaram pela Expo Indústria mais de 2.000 visitantes. Sem dúvida que foi uma aposta vencedora do Ministério da Indústria, com uma forte adesão do tecido industrial nacional, tendo sido por todos reconhecido que o certame enalteceu o mérito e dignidade que o sector alcançou. Foi esse sucesso alcançado que levou a que este ano criássemos um espaço com condições para poder receber um maior número de expositores. São esperadas mais de 100 empresas industriais, bem como das empresas que lhes estão ligadas, como é o caso das do sector financeiro, segurador e da consultoria.

JA – O que motivou a escolha do World Trade Center para realização da exposição?

BM – O espaço está no coração da já chamada capital industrial de Angola, em Viana, e está integrado no Pólo de Desenvolvimento Industrial de Viana. Era importante também realçar-se este facto. Gostaria aqui de realçar que o Pólo de Viana, tal como o da Catumbela, duas das infraestruturas geridas pelo Ministério da Indústria para localização industrial, comemoraram muito recentemente os seus 17 anos e desde as suas constituições têm assumido um papel essencial para a competitividade da economia angolana. O World Trade Center oferece condições de exposição e promoção dos produtos e serviços dos participantes. Tem uma localização que o integra num ambiente onde se respira o contexto industrial, pois está rodeado das principais unidades produtivas da Grande Luanda. Possui acessos rápidos e fáceis, e estacionamento público em grande número.

JA – Quais as principais novidades do certame para este ano?

BM – Além da localização num espaço com mais de 3.000 metros quadrados, que permite que este ano se duplique a área útil de exposição, é possível acolher um maior número de expositores, vai ser possível também uma oferta de espaços mais diferenciados para os vários ramos de actividade ligados à indústria. Não só a indústria transformadora estará no certame, mas também tudo o que contribui para o bom desempenho do sector. E a boa disposição do espaço permite igualmente assim uma melhor configuração do certame, tornando o espaço muito agradável para visitantes e expositores. Duplicámos ainda a duração do evento, passando a decorrer ao longo de quatro dias, de quinta-feira a domingo, estando assim possível uma visita mesmo durante o fim-de-semana por toda a população, permitindo maior número e visitantes e uma diversificação de públicos. O evento oferecerá também um programa paralelo de conferências, workshops e eventos formativos e informativos, com temáticas pertinentes que muito poderão contribuir para uma melhor capacitação das empresas, procurando-se a melhoria da sua competitividade e alavancando os seus negócios.

JA – “Indústria Nacional Motor da Mudança” é o lema deste ano. Porquê?

BM –  A indústria nacional reúne todas as condições para levar à mudança de um perfil económico que até agora nos caracterizou e o qual muito contribuiu para o contínuo desenvolvimento de Angola, e que estava alicerçado na indústria petrolífera. Mas factores externos levaram à diminuição do preço do barril de petróleo, pelo que temos que proceder a uma diversificação económica. E a grande alavanca é por via da industrialização do País. Com esta diversificação podemos continuar a manter o crescimento económico que temos vindo a registar há já alguns anos, e que têm sido muito acima dos valores médios mundiais. A indústria, pelas suas características, permite uma forte criação de emprego e ao mesmo tempo cria valor na transformação dos diferentes recursos nacionais, que felizmente são abundantes, diminuindo desta forma não só as nossas necessidades de importação de mercadorias, mas também levando à produção de bens transacionáveis com procura nos mercados internacionais. Angola tem já um sector industrial forte, tecnologicamente desenvolvido e muito competitivo, apresentando produtos de elevada qualidade. É esta indústria que queremos divulgar e promover, e que é o motor para a mudança desejada do perfil da economia nacional.

JA – Como é que o Ministério da Indústria assegura o financiamento do certame?

BM – Como Sua Excelência O Presidente da República, Engº José Eduardo dos Santos, teve oportunidade de salientar na sua mensagem aquando da abertura da legislatura da Assembleia Naciona “na actual conjuntura, temos de fazer mais e melhor com menos. Isto significa que temos de alterar modelos e práticas de mobilização e utilização de recursos”. Foi este importante princípio que seguimos. Solicitámos um esforço aos privados, expositores e patrocinadores empresariais, parceiros estratégicos que se associaram ao Ministério da Indústria, que entendem que a Expo Indústria é uma mais-valia para as suas estratégias empresariais, fruto do êxito da edição do ano passado. Rentabilizámos recursos, mobilizámos vontades e assim conseguimos não só diminuir os custos do evento, mas também aumentar o espaço e os dias da sua duração, sem se comprometer a qualidade do mesmo.

JA –  Que papel assume a Expo Indústria no desenvolvimento da indústria nacional?

BM –  Ao levar a cabo esta iniciativa o Ministério da Indústria pretende promover a diversificação e o crescimento do sector, introduzindo critérios de qualidade para que a produção angolana possa ser competitiva nos mercados internacionais. A Expo Indústria nasce não apenas com o intuito de evidenciar o que de melhor existe no sector industrial nacional, mas assumindo-se claramente como um momento de reconhecimento do mérito de todos os que se têm empenhado na modernização e no crescimento do país. Para o Ministério da Indústria existe um outro papel importante que a Expo Indústria permite, que é o de aproximar este órgão de tutela dos industriais. Apesar de todos os industriais saberem que podem contar com o Ministério da Indústria, enquanto agente dinamizador e agregador de sinergias, capaz de auscultar, antever e impulsionar a indústria nacional e os seus empresários, envolvendo todas as forças vivas da sociedade, que poderão contribuir para a continuidade do desenvolvimento de Angola. (jornaldeangola)

Por: Kumuênho da Rosa

 

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