Benfica admite rever em alta contrato assinado com a Nos

Três “grandes” assinaram acordos com as operadoras de telecomunicações que chegam aos 1303 milhões de euros.

O Benfica está confortável com o contrato assinado com a Nos, mas agora que Sporting e FC Porto fecharam os respectivos acordos sobre direitos televisivos vai solicitar à operadora de telecomunicações que proceda à revisão em alta do contrato que vale, para já, 400 milhões de euros pela cedência dos direitos televisivos e da emissão do canal do clube por dez anos. Entre os três “grandes” do futebol português as operadoras de telecomunicações estabeleceram acordos que chegam aos 1303 milhões de euros. Segundo as estimativas do PÚBLICO, os “encarnados” serão quem vai receber a mais pela venda dos seus jogos para o campeonato.

O contrato do Benfica não é comparável com o de FC Porto e Sporting (portistas e sportinguistas incluíram também o patrocínio das camisolas e a cedência dos direitos de exploração da publicidade estática do estádio), mas o PÚBLICO sabe que o acordo assinado entre o clube da Luz e a Nos inclui “cláusulas de salvaguarda” que obrigam à revisão do contrato em determinadas circunstâncias. Ao que foi possível apurar, as circunstâncias acauteladas no acordo verificaram-se e o clube da Luz quer a revisão do acordo nos prazos previstos no contrato. Nem o Benfica nem a Nos quiseram comentar estas informações.

No contrato assinado com a Nos, o clube da Luz irá receber 300 milhões de euros pelos direitos televisivos dos jogos para o campeonato, sendo os restantes 100 milhões destinados ao exclusivo da Benfica TV. Verbas que serão divididas pelos dez anos do acordo, com aumentos progressivos, mas que representará um valor médio de 30 milhões de euros por temporada para as partidas disputadas no Estádio da Luz, acrescidos de mais 10 milhões/ano pelo exclusivo do canal benfiquista.

Estes terão sido os valores de referência para FC Porto e Sporting nas negociações com a Meo e Nos, respectivamente. Os “dragões” acordaram a uma verba global de 457,5 milhões de euros, enquanto os “leões” chegaram aos 446 milhões de euros, acrescidos de mais 69 milhões referentes a uma adenda contratual negociada com a PPTV, do empresário Joaquim Oliveira, com quem foi renegociado o actual acordo de cedência dos direitos televisivos que termina no final da temporada de 2017-18 e que era actualmente de 15 milhões de euros por época.

Num exercício necessariamente especulativo, face à ausência de pormenores oficiais dos contratos firmados por FC Porto e Sporting, pode chegar-se a valores aproximados do que estes dois clubes irão receber, por temporada, apenas pelos jogos de futebol. Para tal, é necessário considerar alguns números conhecidos referentes ao Benfica. Como já foi mencionado atrás, os “encarnados” irão receber 10 milhões de euros por época em relação à cedência dos direitos de transmissão e difusão da Benfica TV. No acordo com a Nos, o clube da Luz não incluiu a publicidade estática no seu estádio, mas esta renderá actualmente aos cofres do bicampeão nacional aproximadamente 1,8 milhões de euros por ano. Fora do negócio ficou também o patrocínio da camisola, já que está em vigor um contrato com a Emirates, que representa uma receita de oito milhões por temporada.

Se os valores destas três rubricas (exclusivo do canal televisivo, publicidade estática e patrocínio da camisola) forem equivalentes para FC Porto e Sporting, o remanescente será referente aos direitos televisivos dos jogos de futebol. Com um contrato idêntico ao do Benfica com a Nos, a Meo iria pagar aos “dragões” 125 milhões de euros pelo exclusivo do Porto Canal durante 12 anos e meio, mais 60 milhões de euros pelo patrocínio nas camisolas, por sete anos e meio, assim como 18 milhões de euros relativos à exploração da publicidade estática no estádio portista durante uma década. Ficariam a sobrar 254,5 milhões de euros para os direitos televisivos dos jogos de futebol, a um ritmo aproximado de 25,5 milhões de euros por época.

Utilizando a mesma lógica para o Sporting, o exclusivo da Sporting TV na Nos durante 12 anos implicaria uma verba de 120 milhões de euros para os cofres “leoninos”, que seriam reforçados ainda com 100 milhões de euros pelos 12 anos e meio de patrocínio da operadora nas camisolas e 18 milhões de euros relativos à publicidade estática. Neste caso, os “leões” receberiam 208 milhões de euros pelas suas partidas de futebol em casa, a uma média de 20,8 milhões de euros durante 10 anos. Um valor que poderá crescer se alguma das anteriores rubricas tiver um peso menor, sendo o mesmo princípio válido para o FC Porto.

Num exercício inverso, somando ao contrato do Benfica com a Nos as rubricas do patrocínio das camisolas e da publicidade estática num acordo também a dez anos, conforme foi estabelecido com os direitos dos jogos de futebol e da transmissão e distribuição da Benfica TV, o clube da Luz poderia receber mais 98 milhões de euros (80 milhões do patrocínio das camisolas e 18 milhões da publicidade no estádio), somando um valor global de 498 milhões de euros.

No caso do Sporting, ao acordo com a Nos, junta-se também a adenda contratual com a PPTV (pelos direitos televisivos dos jogos para a Liga no Estádio de Alvalade e publicidade estática no mesmo recinto até ao final da época 2017-18), que, segundo o clube, acrescenta mais 69 milhões de euros aos 446 negociados com a operadora de telecomunicações, perfazendo um total de 515 milhões de euros. Actualmente o acordo com a empresa de Joaquim Oliveira (que revende os direitos televisivos à Sport TV, detida em partes iguais pelo próprio Joaquim Oliveira e pela Nos) vale aos “leões” 15 milhões de euros por temporada, que estarão também incluídos na verba avançada pelo clube. (Público)

por Paulo Curado e Hugo Daniel Sousa

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