Ana Botín, a banqueira que comprou o Banif

(Negocios)

Tem 55 anos, fala cinco línguas, é casada e tem três filhos. Em 2015, ocupava a 18.ª posição entre as 100 mulheres mais poderosas do mundo. Chama-se Ana Botín e é presidente do Grupo Santander, que comprou o Banif por 150 milhões de euros.

O Santander comprou os activos saudáveis do Banif por 150 milhões de euros no passado domingo, 20 de Dezembro. À frente do grupo espanhol está uma banqueira incontornável, Ana Botín, que é também conselheira do primeiro-ministro britânico David Cameron.

Na sequência da morte do seu pai, Emilio Botín, em 2014, Ana tomou as rédeas da instituição. Foi eleita por unanimidade. Quando fez o primeiro discurso avisou que o futuro não seria fácil e que o seu objectivo era “manter a trajectória de sucesso” traçada pelo seu pai, que tornou o Santander não só “grande mas também mais diversificado e mais sólido”, disse perante os 30 mil trabalhadores do grupo, numa teleconferência em simultâneo para todo o mundo.

A morte de Emilio Botín precipitou a sua nomeação, mas Ana Botín esteve, durante anos, a ser preparada para liderar um dos maiores bancos europeus.

Nascida em Outubro de 1960, Ana Botín licenciou-se em Economia na universidade de Bryn Mawr (Estados Unidos). Depois de oito anos no JP Morgan, entrou no Grupo Santander em 1988, sendo uma das responsáveis pela expansão do Banco, sobretudo na América Latina. Um ano depois, integrou o conselho do Banco Santander e o comité de direcção, pode ler-se na sua biografia oficial no site do Santander.

Em 2002 assumiu a presidência executiva do Banesto cargo que manteve até 2010, tendo o banco espanhol sido reconhecido durante três anos como o melhor banco de Espanha, de acordo com a revista Euromoney, pode ler-se nesta biografia.

Anos mais tarde, em 2010, como conselheira delegada da unidade britânica do Santander liderou a transformação da entidade num banco comercial universal através da integração de três outros bancos, o Abbey National Alliance, o Leicester y Bradford e o Bingley. No período em que esteve nos comandos do Santander UK, David Cameron nomeou-a como uma das representantes da comunidade financeira britânica no exterior. Esta fase da sua vida termina abruptamente no final de 2014, altura em que Emilio Botín-Sanz de Sautuola y García de los Rios morre de ataque cardíaco.

Já enquanto presidente do Grupo Santander, em 2015, Ana Botín integrou o grupo de conselheiros empresariais de David Cameron, sendo a única entre 19 líderes empresariais que não pertencia a uma empresa britânica.

Além da presidência do grupo e de Business Ambassador no Reino Unido, Ana Botín é conselheira executiva da Coca-Cola.

Com 55 anos, casada e com três filhos, Ana Botín fala cinco línguas e ocupou em 2015 a 18.ª posição no ranking da Forbes das mulheres mais poderosas do mundo.

Escreve a Bloomberg que Botín é uma mulher elegante que fala inglês com “a autoridade de quem diz ‘faz acontecer’”, que é uma executiva focada nos detalhes e que “fala com uma frontalidade que iria mortificar a maioria dos banqueiros europeus”. Botín está “muitas vezes fora do campus ‘arranjadinho’ do Santander na periferia de Madrid, alternando constantemente entre Espanha, América do Sul, Nova Iorque e Londres”, conta a agência.

Ana Botín é a mais velha de seis irmãos e a sua mãe, Paloma O’Shea, é pianista e presidente do Colégio de Música Rainha Sofia em Madrid. Todavia, Ana saiu ao pai no que toca ao gosto pela economia e é hoje uma das personagens incontornáveis na banca europeia. (Jornal de Negocios)

por Inês F. Alves

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