Agricultura inteligente em termos climatéricos: a chave para o desenvolvimento de África

(Foto: D.R.)

“Actualmente, é necessária a colaboração de várias partes interessadas, incluindo governos, ONG e organismos de investigação, para, de forma rápida, levar o sector agrícola africano a melhorar a segurança alimentar e a resiliência às alterações climáticas”, afirmou Estherine Fotabong, Directora dos Programas da NEPAD, no evento sobre a Agricultura inteligente em termos climatéricos (AIC) da NEPAD, realizado à margem da COP21 em Paris, a 7 de Dezembro.

As investigações realizadas pela NEPAD no âmbito do Programa Abrangente de Desenvolvimento Agrícola de África demonstram que os efeitos das alterações climáticas estão a tornar-se cada vez mais frequentes e mais graves, ameaçando a fiabilidade e a produtividade da agricultura, exacerbando os níveis extremos de pobreza já existentes e reforçando a desigualdade e a subnutrição crónica persistentes.

A Nova Parceria para o Desenvolvimento de África (NEPAD) da União Africana apoia a implementação da AIC no continente através do Programa Agrícola relativo às Alterações Climáticas ou outras iniciativas relacionadas. Estes esforços irão aumentar de forma sustentável a produtividade, a resiliência e a adaptação, assim como desenvolver capacidades a todos os níveis, especialmente para pequenos agricultores e instituições, de modo a atingir o objectivo de que 25 milhões de agricultores africanos pratiquem uma agricultura inteligente em termos climatéricos até 2025.

“O sector agrícola africano emprega 65 por cento da população do continente, 50 por cento dos quais são mulheres. Prevê-se que as alterações climáticas tenham um impacto significativo sobre a agricultura, constituindo assim um obstáculo de grande importância para África”, afirmou Miti Chikakula, Responsável pela Agricultura no COMESA. “Ao adoptar as práticas de AIC, os pequenos agricultores podem reduzir os riscos que enfrentam devido às alterações climáticas, enquanto melhoram a segurança alimentar e os modos de subsistência”, acrescentou.

Enquanto as negociações relativamente à COP21 chegavam a um desfecho, os participantes demonstraram a sua preocupação no que diz respeito à necessidade de incluir políticas adequadas de género e inteligentes em termos climatéricos nos acordos da COP21, uma vez que as mulheres constituem a maioria dos pequenos agricultores africanos. Os participantes também comentaram os esforços da Agência da NEPAD para que a agricultura inteligente em termos climatéricos seja uma realidade para milhões de pequenos agricultores e se evite os impactos negativos das alterações climáticas globais.

O evento paralelo debateu a abordagem do continente às alterações climáticas e à agricultura, demonstrou os progressos realizados, as experiências e as lições obtidas de trabalho recente para apoiar a aplicação da AIC em África e o futuro após a COP21. Os debates também se focaram nos esforços que os africanos e os parceiros de desenvolvimento têm de realizar para levar a cabo acções práticas e de base local em matéria agrícola e alterações climáticas, e para o surgimento de novas oportunidades para os agricultores africanos.

Para finalizar, Martin Bwalya, Coordenador do programa de implementação da NEPAD reforçou o compromisso da NEPAD relativamente ao combate às alterações climáticas em África e à melhoria da resiliência e dos modos de subsistência através de uma colaboração inteligente, interdisciplinar e intersectorial; processos baseados nas evidências; expansão da carteira de negociadores em termos de números e campos; capacitação dos pequenos agricultores e instituições; recurso aos conhecimentos locais e envolvimento das mulheres que participam activamente na agricultura.(apo)

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