Africano: Espectador “especial” no fecho da fase de grupos

Jean Jacques, com Adriano Baião ao fundo, antigos jogadores do 1º de Agosto assistem jogo no Pavilhão Multiusos do Kilamba (Foto: Henri Celso)

Sentado no meio do público na bancada multicolor do Multiusos do Kilamba, ladeado da filha e de um antigo companheiro de equipa, aparentemente era mais um espectador para assistir terça-feira ao fecho da fase de grupos da taça de África dos Clubes campeões de basquetebol. Mas não, tratava-se da maior referência do basquetebol angolano.

A presença de Jean Jacques da Conceição acabou por ser o facto de destaque da última jornada da primeira fase, que decorria com normalidade até o Petro de Luanda “azedar” com derrota diante dos marroquinos do Far Rabat (67-70.

Com a sua filha (voleibolista) e Adriano Baião, antigo colega no 1º de Agosto, o primeiro africano no Hall da Fama da FIBA acompanhou os encontros numa bancada muito próximo do local onde as claques organizadas se posicionam.

Os favoritos foram confirmando o estatuto (pese alguma resistência) e a confirmar uma jornada “normal”. Foi assim no Kano Pillars – Ascut (79-55), no Recreativo do Libolo-Gezira (71-55) e no 1º de Agosto-Inter Club (68-51). A margem pontual final expressa a diferença dos oponentes, embora, em certos momentos, as partidas tivessem conhecido momentos de emoção e mesmo de equilíbrio.

Esta tendência, porém, foi contrariada no fim. No último encontro, o Petro de Luanda até iniciou bem o confronto com o Far Rabat, com vantagem ao intervalo de 33-26. Porém, tudo mudou na segunda parte, com um “irriquieto” base Moustapha a deitar por terra as pretensões dos petrolíferos.

O adversário foi de tal forma convincente que atraiu o escasso público presente no Kilamba ao seu lado, a ponto de ouvir entoar e aclamar o nome do seu “camisola 5”. Este, respondia com o erguer dos braços incentivando os fãs de circunstância.

Até a claque organizada tricolor ficou silenciada. De resto no “campeonarto” das claques o 1º de Agosto venceu a fase de grupos com larga margem. Os tricolores, além de mais numerosos e mais rigorosamente equipados e identificados com as cores da agremiação, estão munidos de instrumentos sonoros mais eficazes e em maior número.

Enquanto a sua formação actuava, não pararam de apoiar e nem durante o intervalo pararam. Parece haver sintonia entre a equipa e os adeptos, pois tal como o técnico Casas aproveitou o encontro de terça-feira para ensaiar a próxima etapa, também a claque parecia rever a sua pauta.

Já os “laranjinhas” do Libolo foram pouco mais que silenciosos e escassos, enquanto a “núvem” amarela do Petro começou muito activa, mas esmoreceu quando mais a equipa precisava.

A festa do basquetebol voltou a ter escasso público, mas registou-se uma procura de realçar aos bares das instalações, talvez pela previsibilidade dos resultados ou pelo calor que faz no interior do Multiusos.

A verdade é que boa parte dos espectadores, em vez de sentados nas bancadas multicoloridas do pavilhão, permaneciam nos “pontos de refrescamento”. Alguns destes bares são climatizados e com tela para acompanhar o jogo, além de uma janela envidraçada que permite visualizar a quadra de jogo.

Em face deste cenário montado, alguns adeptos tarde se aperceberam de que se passava algo “anormal” no último encontro. Curiosamente, o espectador especial deixou o recinto ao intervalo desse jogo. Na altura a vantagem e a exibição do Petro de Luanda indiciavam um desfecho dentro da normalidade dos jogos anteriores.

Dir-se-ia que os petrolíferos “traíram” também as expectativas do espectador “especial”, que tem a experiência de longos anos intimidade com a tabela por Angola, África, Portugal, França e Espanha, coleccionando sucessos que lhe valeram o reconhecimento da FIBA e a distinção de maior basquetebolista africano de todos os tempos. (ANGOP)

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