Afinal o que vai mudar no Mundo?

José Valentim Peixe (Foto: José Valentim Peixe)

Confesso que sou muito céptico em relação ao acordo ambiental conseguido na Cimeira do Clima, em Paris. Não me satisfaz enquanto cidadão e muito menos enquanto ambientalista. O Acordo de Paris foi um parto difícil. Na opinião do professor Francisco Ferreira, da Quercus, a maior Organização Não Governamental do Ambiente (ONGA), “ o acordo alcançado em Paris não satisfaz cada um dos países, nem a emergência para a qual a sociedade civil e os cientistas têm alertado, mas traça um caminho de futuro com esperança”.

Seca (Foto: José Valentim Peixe)
Seca (Foto: José Valentim Peixe)

“Em Paris, começaram por ser 26 mil pares de sapatos a marchar, alguns expostos na Praça da República, outros diretamente doados a quem precisa. A seguir, foi um cordão com 5 mil pessoas. No recinto da Cimeira do Clima, em Paris, foram entregues aos delegados, durante dias seguidos, mensagens de alerta em papel, por email, em demonstrações imaginativas. Foram os “Fósseis do Dia” que assinalaram quem mais bloqueou o progresso das negociações. Foi um urso polar gigante robotizado, que rosnava, como que fazendo um apelo, à entrada da suposta avenida dos Campos Elísios, por entre os pavilhões da COP, em Le Bourget. Foram centenas de ativistas a apelar à meta de 1,5 graus Celsius junto à Torre Eiffel em miniatura no fim da avenida”, esclareceu o ecologista e professor universitário Francisco Ferreira.

A verdade é que uns meses antes da Cimeira do Clima os ministros do Ambiente da maioria dos países estiveram reunidos em Paris para preparar o documento final que foi apresentado a todas as delegações.

O objectivo do acordo ambiental de Paris foi alertar os governos dos países e industrializados para o investimento na utilização de energias ambientais ecológicas, abrandando na exploração das energias fósseis. Também se ouviu um grito universal contra o aquecimento global.

Em Paris, durante duas semanas, ouviram-se milhares de congressistas de todo o mundo e de manifestantes europeus para que se acabe com a destruição das florestas e a exploração das energias fósseis, nomeadamente o petróleo.

Tenho a certeza absoluta que os chefes de estado que marcaram presença em Paris não ficaram indiferentes aos protestos dos m ilhares de manifestantes e é perfeitamente normal que nos próximos anos, os países mais industrializados ajudem as economias mais pobres a investir nas chamadas energias alternativas. Para bem das próximas gerações.

“O texto final de proposta de Acordo de Paris é um marco histórico, pelo menos tão significativo como o Protocolo de Quioto assinado em 1997. Estamos numa fase crucial em que a comunidade internacional, depois do falhanço de Copenhaga, em 2009, não conseguiria sobreviver a próximas negociações num quadro multilateral se não tivesse havido resultados”, afirmou o presidente da Quercus.

Mas na minha singela opinião, o acordo alcançado na Cimeira do Clima em Paris, serviu para salvar a presidência de François Hollande e obrigou os países mais ricos a comprometerem-se publicamente na ajuda aos países mais pobres do Mundo. Ou seja, as boas intenções para evitar o aquecimento global foram postas no acordo final. Agora resta saber é se elas vão ser efectivamente cumpridas.

O Acordo de Paris, tem a sua assinatura simbolicamente prevista para o Dia da Terra, 22 de Abril de 2016, na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, num evento de alto nível promovido pelo Secretário-Geral, Ban Ki-moon.

Mas que fique bem claro o seguinte, o acordo da Cimeira do Clima que decorreu em Paris, está longe de satisfazer a maioria dos países. Já para não falar dos apelos e alertas urgentes da sociedade civil e dos cientistas.

Poderá ser encarado como um acordo de esperança para o futuro da humanidade e da mãe Terra, mas também pode ser apenas e só mais um acordo. Cá estaremos para ver. O tempo é o melhor conselheiro para demonstrar isso mesmo.

por José Valentim Peixe

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