A inflação rompe meta do OGE 2016 e segue. Será a prenda de Natal?

Janísio C. Salomão (Janísio C. Salomão)

Numa fase em que efusiva e entusiasticamente, mais sem pompas e circunstâncias, nos preparamos para celebrar mais uma quadra natalícia, a economia angolana parece que, não para de nos pregar surpresas. Se até a semana passada a inflação se encontrava cifrada em 12,40%, esta já não é a realidade.

Segundo o relatório publicado recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola (INE) a inflação em Angola atingiu níveis históricos de 13,29%, comparados apenas ao período em que a economia registou a crise económica e financeira internacional do sub-prime ocorrida nos Estados Unidos da América (EUA);

A crise económica, financeira e cambial que Angola encontra –se imbuída, parece ter sempre surpresas, aquelas das bem amargas e inesquecíveis para os angolanos, tal como já se esperava! Como se não bastasse a subida das taxas de câmbio e desvalorização do kwanza em mais de 30%, com o culminar do ano de 2015, vamos registando uma subida gradativa dos preços, num olhar impávido e sereno da autoridade máxima e monetária do pais, que nas suas reuniões do comité de política monetária (CPM), tenta conter a sua subida, através dos aumentos sucessivos das taxas de juro base, que, pelo ver, parece não quer ser impedida e, segue a sua velocidade cruzeiro.

O Orçamento Geral do Estado (OGE) 2016 recentemente aprovado no dia 17 de Novembro do corrente ano, apresenta no seu relatório de fundamentação, uma inflação a rondar dos 11 – 13%; O actual cenário do pais nos mostra que esta meta encontra –se completamente ultrapassada e desajustada, ante ao novo quadro macroeconómico; Sem uma taxa de câmbio fixada, o referido relatório nos ilustra um cenário futuro incerto dos níveis que, estas duas variáveis poderão atingir. A principal commodity de salvação (petróleo), parece não querer lançar a sua bóia de salvação, e pouco a pouco o seu valor se situa nos mínimos de 36-37 dólares por barril, deixando a deriva a economia angolana, que sem alternativa sente –se abandonada e sem muitas alternativas visíveis a milhares e milhares de milhas.

imgA taxa de inflação em Angola registou níveis altos nos primeiros 5 anos depois em que registou a paz e a crise económica e financeira internacional; Os níveis mais baixos ocorreram no anos de 2012 e 2013 em que as taxas atingiram um dígito, cifrando –se em 7,69% e 7,48% respectivamente.

A inflação é um dos males que geralmente enfermam as economias por se traduzir na subida generalizada dos preços dos bens e serviços transaccionados na economia, durante um determinado período de tempo, que resulta na desvalorização da moeda e do poder aquisitivo.

Pelo andar da carruagem creio que não iremos escapar das metas apresentadas em alguns relatórios e estudos sobre a economia angolana, em que se prevê uma taxa de inflação de 14%.

Com bacalhau na mesa ou sem ele, com ou sem prenda, o facto é, a subida dos preços nos mercados formais e informais e redução considerável do poder de compra dos angolanos, sem no entanto se poder vislumbrar num horizonte curto, a correcção dos salários nominais e reais, para equilibrar o poder de compra dos cidadãos angolanos; Mesmo assim, iremos conviver o natal com ela (crise) e aos poucos iremos tentar digeri-la embora muito nos custe.

por Janísio C. Salomão[1]

[1] Mestre em Administração de Empresas; Consultor Empresarial e Técnico Oficial de Contas.

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