A França a 4 dias da segunda volta das regionais

O namoro de Sarkozy com os eleitores FN não convence até no seu próprio campo (REUTERS/Jean-Paul Pelissier)

Depois do apelo do Partido Socialista aos seus candidatos para desistirem da corrida nas regiões onde chegaram em posição menos favorável na primeira volta das regionais do passado domingo, um apelo que foi diversamente interpretado nomeadamente à direita com o líder dos Republicanos, Nicolas Sarkozy, a recusar a mão estendida da esquerda para fazer uma frente comum perante a Frente Nacional, os últimos dias têm sido de grande tensão entre os diversos candidatos ainda em liça.

Ontem o candidato socialista para a região Île-de-France Claude Bartolone acusou a sua rival Valérie Pécresse, dos Republicanos, de defender as zonas ricas de “Versailles, Neuilly e a raça Branca”, o que não deixou de suscitar a indignação à direita, a interessada tendo indicado hoje que vai processar Claude Bartolone. Esta subida de tom acontece no momento em que sondagens dão 41,5% de intenções de voto para Bartolone e 41% para sua adversária de direita.

Por outro lado, perante as críticas de Xavier Bertrand, candidato republicano para a Região Nord Pas de Calais Picardie, a sua adversária Marine Le Pen, líder da Frente Nacional na extrema-direita, prometeu que vai “fazer a vida negra ao governo todos os dias”. De acordo com sondagens, Bertrand estaria em posição de arrecadar 53% dos votos, juntando os sufrágios do seu partido e dos socialistas que se retiraram em seu proveito, contra 47% a favor de Marine Le Pen.

A quatro dias da segunda volta da segunda volta das regionais, o país encontra-se por conseguinte numa encruzilhada com cada formação a tentar fazer cálculos sobre a melhor forma de convencer os indecisos ou inclusivamente ir buscar votos nos extremos. Tal é o caso por exemplo de Nicolas Sarkozy que esta semana, durante um comício político, considerou que “votar FN nao é imoral”, uma pequena frase que não deixou de suscitar críticas à esquerda mas também à direita, sendo poucos os candidatos do seu partido dispostos a acolher o seu líder, designadamente o seu antigo ministro e outrora grande aliado Xavier Bertrand que ontem o apelou a “calar-se”.

Ao comentar a estratégia de Sarkozy, o chefe da redacção da revista “Migrations et Societé”, Pedro Viana, mostra-se bastante crítico em relação a um microcosmo que, a seu ver, independentemente da sua cor política serve os interesses dos mais favorecidos. (RFI)

por Liliana Henriques

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