Tribunal começa a interrogar réu Banza Hanza – Julgamento

Julgamento dos 17 arguidos acusados de preparação de rebelião contra instituições do Estado (Foto: Pedro Parente)
 Julgamento dos 17 arguidos acusados de preparação de rebelião contra instituições do Estado (Foto: Pedro Parente)

Julgamento dos 17 arguidos acusados de preparação de rebelião contra instituições do Estado (Foto: Pedro Parente)

O julgamento dos 17 arguidos acusados de preparação de actos de rebelião contra as instituições do Estado prosseguiu hoje, quinta-feira, com o início do interrogatório ao réu Banza Hanza.

À tarde, na sessão que decorre nas instalações da 14ª secção do Tribunal Provincial de Luanda, Banza Hanza admitiu que as reuniões realizadas tinham como principal propósito levar a cabo debates sobre diversos temas da vida política e social do país.

Negou que as mesmas tivessem como foco a formação de activistas, uma vez que tinham carácter aberto, sendo as redes sociais o meio utilizado para anunciar a sua realização.

O réu disse que não pretendiam destituir o Presidente da República nem os membros dos órgãos de soberania, uma vez que a sua intenção se resumia em combater “os males sociais que afectam a sociedade angolana”.

Questionado pelo juiz sobre como pretendia levar a cabo a luta contra os males sociais, o réu respondeu: “ao não me calar contra as injustiças, exercendo o meu direito de cidadania e participando em actos cívicos, estaria a cumprir com este desiderato”.

Banza Hanza negou que tivessem a pretensão de preparar greves generalizadas, uso de crianças, mulheres, taxistas ou outros cidadãos para actos de rebelião como queima de pneus, entre outras acções.

Interrogado se todos os participantes nas reuniões que eram levadas a cabo desde o dia 16 de Maio de 2015 tinham os mesmos objectivos, o réu referiu que preferia responder apenas pelos seus actos.

Entretanto, o período da manhã foi marcado pelo fim do interrogatório ao réu Nuno Dala que negou responder questões colocadas pela magistrada do ministério público, sobre o conteúdo de um vídeo exibido na ocasião.

Nesse vídeo, sobre o qual a defesa pediu a sua retirada dos autos, por falta de mandado de apreensão do mesmo, Domingos da Cruz defende a mobilização em residências de cidadãos para posteriores manifestações.

Por outro lado, soube-se da existência de dois grupos entre os detidos, um deles defendendo a realização de actos violentos idênticos aos protagonizados na chamada Primavera Árabe” e outro advogando a via pacífica.

Ao responder ao advogado de defesa, Nuno Dala negou a sua intenção de preparar actos contra o Presidente da República ou a destituição de membros de órgãos de soberania, tendo referido que um presumível golpe de estado iria abortar os objectivos preconizados pelos activistas.

Em relação à carta escrita por Nuno Dala para Luaty Beirão, na qual o réu questiona o papel de líder de Domingos da Cruz e que o acusa de ter abandonado os seus companheiros no campo de batalha, dois dias antes de serem detidos, preferiu remeter-se ao silêncio.

Na sessão, os advogados da defesa questionaram a ausência dos mandados de captura e apreensão dos réus por parte do ministério público.

No final das sessões, o advogado de defesa, Sebastião Assurreira, acusou o ministério público de parcialidade, tendo reafirmado a inocência dos seus constituintes.

Por seu turno, a jurista Ana Ginga dos Santos considerou que o processo está a decorrer dentro da normalidade e que tanto a defesa como o ministério público estão a fazer o seu trabalho.

“É certo que a sociedade está à espera do veredicto final, mas agora compete às instâncias judiciais julgar o caso e divulgar a verdade dos factos”, rematou.

O julgamento prossegue sexta-feira com a continuação do interrogatório ao réu Banza Hanza. (portalangop.co.ao)

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