Santander Totta com lucros de 177 milhões de euros

(Foto: D.R.)
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Não deve ser o Fundo de Resolução a suprir possíveis necessidades adicionais de capital do Novo Banco, disse esta manhã o presidente do Santander Totta.

Como “grande instituição de crédito” o Santander  “está sempre atento ao que se passa à nossa volta” e “se interessa vamos a jogo”, mas após a avaliação do dossiê de venda do Novo Banco. “Consideramos que os números” apresentados pelo Banco de Portugal (BdP) “não estavam dentro da nossa política” e “acabámos por desistir do negócio, explicou esta quarta-feira o presidente do Santander Totta, António Vieira Monteiro.

Vieira Monteiro falava durante a divulgação das contas dos primeiros nove meses do ano com os lucros a cifrarem-se em 177 milhões de euros. Para o banqueiro, o Fundo de Resolução (gerido pelo BdP mas dotado de fundos do sector) não  deverá ser chamado a voltar a injectar verbas no Novo Banco (já lá meteu 4900 milhões) e Bruxelas também não autoriza o Estado a fazer aumentos de capital. Razões que exigem que o banco avance com um processo de reestruturação, o que deve ser uma prioridade, para a qual Eduardo Stock da Cunha já foi mandatado pelo BdP, após o primeiro concurso de venda ter sido suspenso.

Sobre o impasse politico que resultou das últimas eleições legislativas, Vieira Monteiro considera que “do ponto de vista do Santander” há “confiança em Portugal “ pelo que a situação “não constitui um problema”. “Cerca de 80% da população portuguesa está alinhada com os compromissos internacionais” e é este facto que é relevante, disse.

Na conferência de imprensa de apresentação dos resultados dos primeiros nove meses do ano, o presidente do Santander realçou que os lucros de 176,7 milhões de euros (mais 48,7%) provieram apenas da actividade doméstica, dado que o Santander Portugal não tem extensões internacionais. No período em análise, o rácio de referência do melhor capital (CET1) fixou-se em 15,7% (15,1% no final de Dezembro de 2014).

A evolução foi justificada pela conjugação de dois factores: “A economia portuguesa está a crescer, a 1,7%” e “é natural que existam operações que vieram de outras instituições, pois o Santander apresenta a melhor performance” do sector.  A margem financeira (o diferencial entre os juros cobrados aos clientes pelos créditos e os juros pagos pelos depósitos captados) aumentou 3,3% para 417,5 milhões de euros.

Já as comissões líquidas totalizaram 200,3 milhões de euros, menos 0,7% do que no período homólogo, com as operações financeiras a ascenderem a 110,2 milhões de euros, mais 22%. O banco registou uma mais-valia  de 39 milhões pela venda da posição no Banco Caixa Geral Totta Angola, e que passou para as mãos da CGD.

Inquirido sobre a existência de conversações sobre o caso “swaps”, um processo que divide o Estado português do banco espanhol, Vieira Monteiro explicou que existe “um diálogo permanente”, mas para haver entendimento “terão de existir dois lados” interessados. A declaração foi interpretada como uma crítica à falta de empenhamento das autoridades nacionais para negociar com o Santander. O banqueiro recusou adiantar detalhes sobre as conversações e lembrou que está a correr um julgamento em Londres, que deverá estar concluído nas primeiras semanas de Dezembro. “O juiz terá ainda alguns meses” para emitir a sentença final. (publico.pt)

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