Um dos autores do Hino Nacional, Rui Mingas: “Quando leio uma poesia bonita, procuro completá-la com uma melodia”

Rui Mingas (Foto: D.R.)
Rui Mingas (Foto: D.R.)
Rui Mingas
(Foto: D.R.)

Rui Mingas é um daqueles homens difíceis de caracterizar numa linha recta, de tão diversificada que são as suas áreas de intervenção: política, desporto, cultura, academia, compositor, intérprete, filantropo, etc. É daquelas figuras que transpiram um incompreensível simbolismo que dificulta a vida de qualquer entrevistador.

Sem darmos por isso, colocamo-lo num pedestal. De seu nome completo Rui Alberto Vieira Dias Rodrigues Mingas, nasceu em 1939 e pertence a uma família de influentes músicos angolanos, como o seu tio Liceu Vieira Dias, o irmão André Mingas, o primo Carlitos Vieira Dias.

Não há, em Angola, um outro autor que tenha musicado e interpretado tantos poemas de diversos autores. É este homem que me permitiu realizar um velho sonho: entrevistá-lo.

Confesso que no centro da entrevista esteve sempre Agostinho Neto, devido a um velho projecto de investigação que carrego e, para isso, intermediou o contacto a sua irmã Amélia Mingas, minha orientadora na licenciatura. E a conversa aconteceu mesmo no seu gabinete, na Universidade Lusíada de Angola, no longínquo dia 07 de Novembro de 2013.

Manuel Rui, o autor da letra do Hino Nacional. (Foto: D.R.)
Manuel Rui, o autor da letra do Hino Nacional.
(Foto: D.R.)

Como e quando foi o primeiro contacto com Agostinho Neto?

RUI Mingas: Conheci Agostinho Neto, primeiro, de estórias. Pelo meu pai. Não o Agostinho Neto poeta, mas como parte de um grupo de jovens estudantes que foi a Portugal que, para a geração dos nossos pais, representavam a grande esperança das famílias africanas por uma luta de valorização dos funcionários que eram secundarizados pela estratificação do regime colonial português. Para os meus pais, e outros pais, sempre que alguém partisse de Angola para ir fazer a continuação dos estudos em Portugal, era uma esperança; era uma felicidade. Os pais eram capazes de fazer um almoço de despedida para desejar boa sorte aos seus irmãos que iriam estudar em Portugal.

Pelos vistos, Agostinho Neto tinha destaque já na época…

RUI MINGAS: Agostinho Neto era, para mim, uma referência histórica, pois ouvia o pai e os amigos a falarem dele com respeito e admiração. E a medida que fui ganhando consciência das coisas, fui tendo contacto com as histórias de Agostinho Neto preso. Ora, quando eu vou para Portugal, Agostinho Neto ainda estava por lá. Tive a oportunidade de conhecer Agostinho Neto na Casa dos Estudantes do Império, que era o ponto de encontro de todos nós para interagirmos com os representantes vindos de outras ex-colónias portuguesas. Aí estavam Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Paulo Jorge, Iko Carreira, Gentil Viana, etc. Toda essa gente se encontrava na CEI. E quando eu chego, Agostinho Neto era já uma referência política e tido por nós como o líder dos angolanos. Não obstante que, naquela altura, não se diferenciava muito, porque todas as figuras de destaque político na CEI eram nossos chefes. Mas com Agostinho Neto havia uma maior proximidade pelo facto de termos vindo duma região comum. Portanto, foi assim que conheci Agostinho Neto.

E quando acontece o primeiro encontro com Agostinho Neto? Foi na CEI?

Rui Mingas: Não foi na CEI. Encontrei-me muitas vezes com Agostinho Neto em casa de um marítimo, o velho Tati, que morava na Praça da Figueira, em Lisboa. E era na casa do velho Tati que Agostinho Neto fazia as reuniões com muitos marítimos. Foi lá onde o encontrei pela primeira vez.

Quem eram os marítimos?

Rui Mingas: Os marítimos eram os agentes portadores das grandes mensagens. A autoridade política portuguesa dificilmente se preocupava com os marítimos. Eles diziam: “Marítimos são trabalhadores de base, não são intelectuais”. Então, eles eram uma grande força. E Agostinho Neto conseguiu criar um grande ambiente de mobilização junto desses marítimos. Eu recordo-me que era na cozinha da casa do velho Tati onde eu conversava às vezes com Agostinho Neto, enquanto na sala decorriam sessões de música na presença de marítimos que viajavam para a América Latina e traziam merengue, salsa e tal. Agostinho Neto vinha darme uma série de conselhos na cozinha. Foi uma ligação curta, porque depois ele veio pra Angola de onde foi desterrado depois para Cabo Verde.

Essa ligação curta com Agostinho Neto terá deixado marcas no seu sentido artístico e revolucionário?

Rui Mingas: Esse curto tempo com Agostinho Neto foi muito tocante pela sua personalidade e pela natureza da sua mensagem poética. Agostinho Neto era um poeta universalista, duma dimensão poética muito grande.

E essa mensagem poética chegava a população iletrada?

Rui Mingas: Pelo texto escrito, a população analfabeta não tinha acesso. Mas essa mensagem poética, acompanhada pela melodia, era já tangível a toda gente.

 (D.R.)
(D.R.)

E nessa altura Rui Mingas já gostava de poesia?

Rui Mingas: Eu, quando miúdo, tinha o hábito de ler muita poesia. E isso é que faz com que naquele período, antes da independência, tenha musicado parte considerável da poesia de intervenção política escrita na altura, e até alguma poesia simbólica como “Morro da Maianga”, de Mário António de Oliveira. Ora, isso faz com que eu, ao ler Agostinho Neto, encontre nas publicações da CEI a poesia de Solano Trindade. Repare que eu na altura tinha o meu pai preso, tinha o meu tio Liceu preso, o meu tio Pedro Benge, o primo Beto Van-Dúnem, todos presos em Cabo Verde. Imagine para mim, com o cuidado e sensibilidade de ler muita poesia, muito jovem ainda e com tantos familiares presos, o que significava ler aquela poesia interventiva de Agostinho Neto. Falou de solano Trindade…

Rui Mingas: Sim, falei dele. Eu encontro o “Quem tá gemendo” de Solano Trindade nessa altura de grande sensibilidade. Não li, nem publicávamos muita poesia brasileira, mas o Solano Trindade, pela natureza da sua poesia, me contagiou e me fez colocar a melodia ali onde a mensagem poética só era tangível ao intelectual. Acabo depois por conhecer a família de Solano Trindade muito mais tarde. Fui ao Brasil e estive com a filha de Solano Trindade. Estive lá com ela, cantei um bocado com ela. Ela ficou até muito surpreendida, e perguntou: “O sr. é Rui Mingas? Aquele que musicou papai? Eu pensava que fosse velhinho como ele!” (risos) Compreendia-se a inquietação dela porque a música tem tantos anos, que ela pensava que tinha sido feita por um contemporâneo do pai dela.

Onde leu os poemas de Solano Trindade?

Rui Mingas: Numa publicação da CEI, penso [Caderno Poesia Negra de Expressão Portuguesa (1953), organizado por Francisco José Tenreiro e Mário Pinto de Andrade]. Já não lembro a designação, mas a CEI tinha uma publicação de poesia de vários autores das ex-colónias: de Angola, São Tomé, Moçambique, Guiné e aí também apareceu o Solano Trindade enquanto poeta negro. Tínhamos uma secção literária que tinha o Ndunduma (Costa Andrade) entre os seus mentores. E havia publicações sobre literatura africana, com Carlos Ervedosa, Noémia do Espírito Santo. Posso estar a cometer alguma imprecisão com datas e nomes. Aliás, isso foi há mais de 50 anos e estou a recorrer ao registo da minha memória!

Capa CD Rui Mingas, CulturaQue imagem conserva dessas duas figuras, nomeadamente Agostinho Neto e Solano Trindade?

Rui Mingas: Essas duas figuras, evidentemente não pondo de parte António Jacinto, Mário Pinto de Andrade ou ainda Viriato da Cruz, mas esses dois eram de facto uma grande referência para mim, pois tocaram muito a minha sensibilidade. Não tive a felicidade de conhecer em vida Solano Trindade, mas creio que ajudei a imortalizar um dos seus temas mais conhecidos.

Quando é que realmente teve contacto com esse poema de Solano Trindade? Nos anos 60?

Rui Mingas: Não, antes. Outras composições minhas surgiram nessa época de 60 e 61. O que acontece é que musiquei muita coisa, mas pela natureza interventiva desses temas, engavetava tudo. Eu cantava só em locais privados com outros camaradas de Angola, da Guiné, de Moçambique. Eu cantava e mandava algumas versões ao meu irmão Saidy, que estava em Estocolmo pelo MPLA que, por sua vez, mandava para os camaradas que estavam na guerrilha. Mas tudo muito escondido. Eu só vim a gravar depois de 25 de Abril de 1974.

Já falou da sensibilidade e da relação entre o conteúdo dos poemas e a liberdade. Haverá outra razão para musicar os poemas como o fez?

Rui Mingas: A forma que eu encontrei para redistribuir as mensagens poéticas e fazê-la chegar ao povo foi musicar. A melodia é uma coisa muito tocante. Quando nos prendemos a melodia, recebemos a mensagem.

Isso foi previamente concertado com alguém? O musicar esses poemas foi sob alguma orientação política?

Rui Mingas: Não. Por acaso, o primeiro poema que musiquei foi “Muimbu Ua Sabalu”, de Mário Pinto de Andrade. Eu tinha 18 anos quando musiquei este poema e interpretei num convívio na CEI. Na altura havia sessões culturais, jograis, leitura de poemas, declamações. E eu, discretamente, num canto, musiquei e muito timidamente fui lá e disse que tinha musicado um poema. Não me esqueço porque estavam os mais velhos, Agostinho Neto e Amílcar Cabral, sentados. Estavam mesmo à frente. Então cantei e os dois levantaram-se e vieram abraçar-me e aquilo ficou como que um hino: a Ana Wilson cantava em grandes convívios, inclusive na Rússia. A partir daí comecei a ler mais a poesia. Mas tudo por iniciativa minha. E fui musicando os textos de Mário Pinto de Andrade, Mário António de Oliveira, Viriato da Cruz, Agostinho Neto, António Jacinto. Mas era, acima de tudo, um momento em que cada um de nós, sofredores das então colónias, consciente ou inconscientemente, dava a sua contribuição naquela luta comum. Entretanto, quando me apercebi que poderia musicar, fui seleccionando os textos mais interventivos. Tudo musicado por iniciativa minha. Particularizou o poema Morro da Maianga e falou dele como sendo mais simbólico. Porquê?

Rui Mingas: Porque me recordava a minha infância, a minha juventude em Luanda, a Maianga de miúdas engraçadas e giras, ali onde hoje é o Prenda, é o Morro da Maianga de Mário António.

E outras, como Monangambé?

Rui Mingas: Monangambé musiquei na Guiné Bissau. Estava em serviço militar. Fui lá destacado sob prisão. Passei por Cabo Verde e o meu pai estava preso no Tarrafal.

No disco Temas Angolanos, de 1974, o Makesu aparece como poema de Mário António. Mas é de Viriato da Cruz…

Rui Mingas: Isso deve ser erro de edição. Mas nunca tinha reparado nisso. Estás a pôr aqui uma questão … (Risos)

Parece-me que tem uma aparente facilidade em musicar poemas. Serão os poemas a facilitar o trabalho do compositor ou o contexto e a inspiração a facilitar esta criação de melodia aparentemente pré-destinada para cada um dos poemas?

Rui Mingas: É difícil dizer se sim ou se não. Provavelmente, o contexto político da época poderia estimular. Há um músico alemão já falecido que dizia que uma das coisas que ele admirava em mim era o facto de eu musicar poemas. A poesia já elaborada, meter melodia é a coisa mais difícil que há. Talvez eu tenha nascido com este dom. Mas porque boa parte das temáticas dos poemas musicados tocam a minha sensibilidade, ganho uma inspiração. Quando leio uma poesia bonita, procuro completá-la, a Imagem de capa de uma obra discográfica de Rui Mingas  Cultura meu modo, com uma melodia. Por exemplo, “Meninos do Huambo”, “Minha terra, nossa terra”, são poemas bonitos. Não basta que sejam poemas de intervenção no plano político-social. Por exemplo, o poema “Meu amor”: meu amor, teus lábios um sabor, teu olhar sem lamento”, do meu último disco, musiquei porque achei uma poesia tão bonita. E o curioso, sabe, quando entreguei o disco ao Manuel Rui, ele ouviu atentamente a música e no final disse: “Ó chará, essa música é muito bonita. De quem é o poema?” e, na ocasião, a sorrir, eu disse: “Mas esse poema é teu!”. E ele, admirado, perguntou: “Minha poesia? Epá, fui eu quem fez isto? Não me lembrava dela!” (Risos). No momento da luta, prendia-me mais a mensagem político-social. Hoje, continuo a ser tocado pela sensibilidade e a olhar mais para o simbolismo; as letras mais simbólicas.

Sinto às vezes que parece magicamente fácil a forma como musica os poemas. Me parece que quando o poeta estava a escrever, Rui Mingas estava a seu lado a compor, acertando a métrica, o ritmo próprio …

RUI Mingas: Não sei se é mesmo assim; se há algo mágico pelo meio. Não diria que seja fácil, mas quando me toca, a mim sai a melodia. Mas olha que muitos não conseguem musicar um único poema. Isso deve querer dizer algo.

SOBRE O HINO NACIONAL: " Estávamos em casa do Manuel Rui Monteiro e numa sala contígua estava o Onambwe, o Ndunduma e o meu irmão [Saidy Mingas]; penso que o Onambwe liderando o grupo, eles a fazerem a bandeira. O Onambwe tinha uma habilidade tremenda para o desenho. Nos tempos de estudante, desenhava maravilhosamente. Portanto, na sala onde me encontrava já lá estavam outras pessoas que eles tinham chamado para prestar algum apoio. Um deles é o Carlitos Vieira Dias. O outro é o Carlos Lamartine. O Carlitos [Vieira Dias] estava lá para tocar viola. O Lamartine é quem depois levou a cassete áudio com a nossa gravação. O Manuel Rui Monteiro escrevia o trecho, e eu metia a música. Quando completamos aquilo, fizemos um coro. O Manuel Rui Monteiro cantou, eu cantei, o Carlitos cantou e o Lamartine também cantou. Depois de tudo, o Lamartine saiu com a cassete já por volta da meia noite. Lembro-me que fizemos quase 24 horas a compor o Hino. Então, eu com a minha viola…! Lamento não ter o hábito de fazer cópias, porque não retivemos uma única cópia da cassete áudio que continha a primeira versão do Hino Nacional. Perdeu-se por completo aquele documento histórico".
SOBRE O HINO NACIONAL:
” Estávamos em casa do
Manuel Rui Monteiro e numa sala
contígua estava o Onambwe, o Ndunduma
e o meu irmão [Saidy Mingas];
penso que o Onambwe liderando o
grupo, eles a fazerem a bandeira. O
Onambwe tinha uma habilidade tremenda
para o desenho. Nos tempos
de estudante, desenhava maravilhosamente.
Portanto, na sala onde me encontrava
já lá estavam outras pessoas
que eles tinham chamado para prestar
algum apoio. Um deles é o Carlitos
Vieira Dias. O outro é o Carlos Lamartine.
O Carlitos [Vieira Dias] estava lá
para tocar viola. O Lamartine é quem
depois levou a cassete áudio com a
nossa gravação. O Manuel Rui Monteiro
escrevia o trecho, e eu metia a
música. Quando completamos aquilo,
fizemos um coro. O Manuel Rui
Monteiro cantou, eu cantei, o Carlitos
cantou e o Lamartine também cantou.
Depois de tudo, o Lamartine saiu
com a cassete já por volta da meia
noite. Lembro-me que fizemos quase
24 horas a compor o Hino. Então, eu
com a minha viola…! Lamento não ter
o hábito de fazer cópias, porque não
retivemos uma única cópia da cassete
áudio que continha a primeira versão
do Hino Nacional. Perdeu-se por
completo aquele documento histórico”.
Tanto Agostinho Neto quanto Solano Trindade, cujos poemas Rui Mingas musicou, penso que levam à poesia alguma mensagem combativa. Parece haver alguma comunhão entre os dois. Concorda comigo?

Rui Mingas: Absolutamente. Em Solano Trindade, lá longe no Brasil, e em Agostinho Neto, em Angola ou Portugal, há uma coincidência incrível nas mensagens poéticas. Ambos faziam da poesia um instrumento de luta na valorização do negro. A essência era a mesma: mensageiros duma realidade sofrida de um povo com objectivos comuns. A liberdade.

O contacto que manteve com a família de Solano Trindade no Brasil foi combinada ou uma mera casualidade?

Rui Mingas: Aconteceu quando fui ao Brasil visitar o meu irmão André, que estava hospitalizado. Depois entendi ir a procura da família de Solano Trindade. Comecei pelo Cine Teatro Solano Trindade, em São Paulo, e de lá para a família não foi difícil.

Quer dizer-nos quem o contactou para musicar a letra do Hino do nosso país, o Angola avante, em vésperas da proclamação da independência nacional?

Rui Mingas: Fui apanhado de surpresa quando voltei pra Angola, cerca de duas semanas antes da proclamação da independência. Portanto, estava em casa na véspera da nossa independência e penso que havia algum problema em relação ao hino, pois não existia nenhuma proposta apresentada ou aprovada. Eu estava com o meu irmão Saidy e chegou um enviado do então ministro da Comunicação, que era o Manuel Rui Monteiro. Ele chega e diz: “o senhor ministro indica o camarada Rui Mingas para ir até a casa dele”. A casa ficava aqui no Sanemento [cidade Alta]. Fui e quando lá cheguei o Manuel Rui disse-me: “Epá, tenho aqui uma proposta do Bureau Político do MPLA para eu e tu fazermos o Hino Nacional”.

Como se sentiu diante de tamanha honra?

Rui Mingas: Claro que era uma proposta que me orgulhava muito, mas também fiquei preocupado pelo grau de responsabilidade em fazer o Hino de um País.

E a seguir, como foi que as coisas aconteceram?

Rui Mingas: Estávamos em casa do Manuel Rui Monteiro e numa sala contígua estava o Onambwe, o Ndunduma e o meu irmão [Saidy Mingas]; penso que o Onambwe liderando o grupo, eles a fazerem a bandeira. O Onambwe tinha uma habilidade tremenda para o desenho. Nos tempos de estudante, desenhava maravilhosamente. Portanto, na sala onde me encontrava já lá estavam outras pessoas que eles tinham chamado para prestar algum apoio. Um deles é o Carlitos Vieira Dias. O outro é o Carlos Lamartine. O Carlitos [Vieira Dias] estava lá para tocar viola. O Lamartine é quem depois levou a cassete áudio com a nossa gravação. O Manuel Rui Monteiro escrevia o trecho, e eu metia a música. Quando completamos aquilo, fizemos um coro. O Manuel Rui Monteiro cantou, eu cantei, o Carlitos cantou e o Lamartine também cantou. Depois de tudo, o Lamartine saiu com a cassete já por volta da meia noite. Lembro-me que fizemos quase 24 horas a compor o Hino. Então, eu com a minha viola…! Lamento não ter o hábito de fazer cópias, porque não retivemos uma única cópia da cassete áudio que continha a primeira versão do Hino Nacional. Perdeu-se por completo aquele documento histórico.

E como se sente hoje, sempre que ouve o hino nacional: como pai, enquanto co-autor, ou como filho, na qualidade de angolano?

Rui Mingas: Sentimento duplo. Sentimento duplo. Sou filho daquele Hino e sou co-autor daquele Hino! Eu e o Manuel Rui. Pais e filhos ao mesmo tempo.

Creio que o Angola avante é um dos melhores que existe, ou não?

Rui Mingas: (Risos) Como filho, também creio que sim. Se nos orgulha, não há como não acreditar que é um dos melhores! (cultura.ao)

Por: António Quino

 

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