Revista “Forbes” chegou a Angola

(Foto: D.R.)
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O ex-presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, afirmou ontem em Luanda que Angola apresenta um potencial geopolítico muito forte importante para a saída da crise do petróleo.

Durão Barroso discursou na abertura da Conferência “Angola nos Próximos 10 Anos – Oportunidades e Desafios”, organizada pela “Forbes Angola”, e disse que o território angolano está numa posição geo-estratégica entre a África Austral e Central que garante muitos benefícios ao país.
Para Durão Barroso, Angola tem desempenhado um papel muito importante para a estabilidade na República do Congo e República Democrática do Congo. “É extraordinário o papel que Angola tem desempenhado a nível regional garantindo aos países africanos segurança e estabilidade para as suas economias”, destacou.
Na conferência, que serviu para o lançamento da revista “Forbes Angola”, o ex-presidente da Comissão Europeia afirmou que, apesar da baixa do preço do petróleo, Angola pode continuar a registar um desenvolvimento significativo. “Há condições favoráveis para que Angola continue a diversificar a sua economia através de apostas de investimentos no tecido empresarial privado”, referiu.
Barroso lembrou que o acordo de cooperação denominado “Caminho Conjunto Angola – União Europeia” foi importante para a promoção da estabilidade da relação entre os dois lados, o que agradou aos investidores. “Quando os investidores internacionais se apercebem que há um programa estável de cooperação entre um Estado africano e a União Europeia tendem a olhar para este país com maior interesse e sentido de urgência”, referiu o diplomata português. Para Durão Barroso, Angola e a União Europeia aprofundaram o diálogo político e a cooperação bilateral em áreas de interesse comum. “É importante existir uma cooperação bilateral profícua entre os países africanos e europeus para em conjunto melhorarem o cenário de crescimento das suas economias”, sublinhou.
O diplomata informou que, de 1960 a 2013, de acordo com o Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), os países da União Europeia transferiram para África cerca de 765 mil milhões de dólares, mas face às restrições orçamentais, é necessário agora mobilizar mais capitais privados, porque a margem das receitas públicas pouco satisfaz os projectos de investimentos.

Isabel dos Santos

thumbs.web.sapoEm mesa-redonda, a empresária Isabel dos Santos afirmou que o mercado angolano observou um crescimento do número de empresários e acredita que nos próximos 10 anos Angola vai ter um mercado competitivo. Isabel dos Santos considerou importante a abertura de instituições de ensino, mas salientou a importância da aposta na melhoria da qualidade.
No encerramento da conferência, o ministro das Finanças, Armando Manuel, falou dos progressos da economia angolana e destacou a estreia de Angola no mercado financeiro internacional com a emissão de “eurobonds” de 1,5 mil milhão de dólares, com resultados positivos por parte dos investidores externos. O ministro salientou que a estratégia aplicada pelo Executivo no primeiro semestre deste ano para fazer face à crise corrigiu o elevado grau de apreciação da taxa real de câmbio acumulada desde 2008. Armando Manuel sublinhou que sem essa actualização colocava-se em risco os resultados fiscais da balança de pagamentos, comprometendo o objectivo nacional permanente de diversificação da economia e, consequentemente, de substituição das  importações de bens que podem e precisam de ser produzidos no território nacional, garantindo a redução do desemprego e o reajuste da balança de pagamentos.
O ministro sublinhou que o Executivo viu-se na obrigação de aprovar, no âmbito da gestão das finanças públicas, medidas pontuais adequadas para fazer face aos efeitos adversos da nova crise externa, “numa perspectiva de se manter a prossecução dos objectivos nacionais permanentes para a estabilidade e o crescimento da economia”.
Entre as medidas pontuais, o ministro citou o estabelecimento de acordos com os países tradicionalmente fornecedores de linhas de crédito para Angola, nomeadamente, a China e o Brasil, visando manter a continuidade da modalidade da dívida externa de longo prazo e de baixo custo.

Pontos fortes e fracos

Noutro momento do discurso, Armando Manuel sublinhou que “nos momentos de grande crise é necessário que se avalie, em cada país atingido, os pontos fortes e as oportunidades da economia para fazer face à travessia da crise. Em Angola, acrescentou, “os pontos fortes e oportunidades são visíveis na manutenção da estabilidade macro-económica através da gestão equilibrada do OGE, da sustentabilidade da dívida pública interna e externa”, destinada, fundamentalmente, a financiar investimentos em infra-estruturas relevantes para o relançamento da actividade económica nos sectores agrícola, pecuário e indústrias, considerados como as principais fontes geradoras de emprego e rendimento para as famílias mais necessitadas .
Falando da revista “Forbes Angola”, Armando Manuel fez questão de referir que a revista, especializada em economia e finanças, “vai contribuir para trazer para o país o padrão do debate macro-económico” necessário para se conduzir a economia nacional para os “caminhos desafiadores da conjuntura internacional”.
A revista “Forbes Angola”, que vai ser comercializada a 800 kwanzas, tem uma tiragem de 7.500 exemplares, com uma periodicidade mensal, tratando de matérias sobre o investimento, as empresas e o comércio, de uma maneira geral.
A revista é também publicada em formato digital, com uma aplicação para “smartphone” e “iPad”. (jornaldeangola.com)

Por: Natacha Roberto e Edna Dala

 

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