RENAMO sugere mediação internacional no diálogo com Maputo

Filipe Nyusi (esq.) afirma que pretende dialogar com Afonso Dhlakama (Getty Images)
Filipe Nyusi (esq.) afirma que pretende dialogar com Afonso Dhlakama (Getty Images)
Filipe Nyusi (esq.) afirma que pretende dialogar com Afonso Dhlakama (Getty Images)

O maior partido da oposição moçambicana pede o envolvimento da comunidade internacional na mediação das negociações para resolver a crise política. Nyusi diz que “não está a ser possível” falar com o líder da RENAMO.

A Resistência Nacional Moçambicana (RENAMO) apelou, esta segunda-feira (09.11), à criação de uma equipa envolvendo a Igreja Católica e a comunidade internacional para mediar a realização de negociações com vista a pôr fim ao clima de instabilidade política que se vive no país e ao restabelecimento da paz.

O apelo para o Governo e a RENAMO abandonarem em absoluto as armas e retomarem o diálogo, envolvendo outras forças vivas da sociedade, tinha sido lançado domingo (08.11) pela Igreja Católica moçambicana.

Os líderes católicos criticam a “falta de coerência” nos discursos políticos sobre a paz. Na visão dos bispos moçambicanos, aquilo que se diz não corresponde à prática e a relação entre o Governo e a RENAMO ainda é marcada por confrontação.

Falando num encontro com o Presidente da República, Filipe Nyusi, a Igreja Católica alertou que a falta de entendimento político tem efeitos na economia e cria pobreza e desigualdades.

“A incoerência tem seguramente a ver com a não materialização daquilo que tem sido não só o discurso do Presidente durante a tomada de posse como também os restantes, em que afirma e reitera sempre que não descansará se não alcançar a paz e que a única forma e via para a paz é o diálogo”, lembra o analista Egídio Vaz.

“Confiança conquista-se com atos”

Durante um encontro, em Maputo, com os bispos católicos, o chefe de Estado mostrou-se aberto ao diálogo, mas disse que não conseguia falar com o líder da RENAMO, Afonso Dlakhama. “Tentei na semana passada, mais uma vez, esforçar-me para falar, mas não está a ser possível”, afirmou Filipe Nyusi.

Abordado pela DW África, o porta-voz da RENAMO, António Muchanga, afirmou que estavam criadas as condições para Nyusi falar com Dlakhama quando as forças governamentais atacaram o líder do partido, por duas vezes em setembro, e mais tarde cercaram a sua residência, numa altura em que Dlakhama manifestava disponibilidade para o diálogo. “Acha que há condições objetivas e morais para uma conversa séria franca, com aquele tipo de atitudes?”, questiona Muchanga.

Egídio Vaz defende que é necessário criar um clima de confiança para se restabelecer o diálogo. O analista não acredita numa solução que passe pela desmilitarização compulsiva da RENAMO. [O Presidente] pode mandar cessar todas as perseguições às forças da RENAMO e ao seu líder, por forma a permitir um clima de confiança”, para que seja possível “retomar à mesa do diálogo”, explica.

Contrariamente à posição do Presidente Filipe Nyusi, a RENAMO é favorável a uma mediação que envolva a comunidade internacional para o restabelecimento da paz. A RENAMO defende que a actual equipa de mediadores nacionais perdeu credibilidade. “Estamos a tentar simular que o assunto é doméstico, mas quando começa a tirar vidas de pessoas deixa de ser doméstico”, sublinha António Muchanga.

O porta-voz da RENAMO defende que “a Igreja Católica e a comunidade internacional se envolvam nas negociações” para que se possa criar aproximação. “Porque confiança não se força, conquista-se com atos concretos. Os atos que o Governo e o partido FRELIMO [Frente de Libertação de Moçambique, no poder] praticaram e o que estão a dizer só aumentam a desconfiança”. (dw.de)

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