Regime sírio avança na região de Aleppo; Washington irrita Moscovo

(AFP)
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O regime sírio obteve duas importantes vitórias em 48 horas na região de Aleppo, as primeiras desde o início da intervenção militar da Rússia, que manifestou sua irritação com os Estados Unidos antes de uma nova reunião, em Viena, sobre o conflito sírio.

Após mais de um mês de reveses, o exército de Bashar al Assad, apoiado pelo Hezbollah e por combatentes iranianos, se apoderou nesta quinta-feira de Al Hader, reduto de insurgentes ao sul de Aleppo, informou à AFP uma fonte militar.

Na terça-feira, na mesma província de Aleppo, as forças do regime conseguiram romper o cerco do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), que durava dois anos, à base aérea de Kweires, sua primeira vitória significativa conta o EI desde o início da campanha aérea de Moscovo em apoio ao regime de Assad, seu aliado.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ONG com uma rede de fontes no país, confirmou que o exército e seus aliados avançam sobre Al Hader e já tomou “partes importantes da cidade”.

“Os combates continuam contra os rebeldes islâmicos e os jihadistas da Frente al Nosra. Há vítimas nas fileiras dos beligerantes”, afirmou o director do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Situada a 25 km de Aleppo, “a cidade é o maior quartel-general das forças rebeldes, sobretudo da Frente al Nosra, braço sírio da Al-Qaeda, e dos rebeldes islâmicos. Sua tomada permite às forças do regime aproximar-se da estrada internacional”, destacou o OSDH.

Quanto à base aérea de Kweires, no leste da província de Aleppo, onde permaneceram cercados mais de mil soldados durante dois anos, agora servirá de ponta de lança contra o EI na região, afirmou uma fonte militar.

Sua tomada foi particularmente sangrenta visto que, segundo o OSDH, pelo menos 60 jihadistas, 20 soldados, 13 combatentes iranianos e 8 membros do Hezbollah morreram nos combates.

Operações em preparação

Segundo a agência oficial SANA, unidades do exército continuavam seu avanço nesta quinta-feira, tomando quatro fazendas e vilas no sudoeste da província de Aleppo.

“Os combates continuam a oeste e a sudeste do aeroporto”, informou o OSDH, que na segunda-feira citou o apoio aéreo russo para retomar Kweires.

Controlar esta base aérea marca um giro real nas operações militares ao redor da cidade de Aleppo, em particular porque o exército está agora a poucos quilómetros da usina eléctrica que alimenta a segunda cidade do país, segundo fontes militares.

“Kweires não é simplesmente um aeroporto, mas uma base militar integrada. Retomar o seu controle dá às forças sírias e russas um posto avançado para realizar outras operações”, acrescentou.

Segundo a fonte, as tropas estão a alguns quilómetros de Deir Hafer, um bastião do EI mais ao leste, e de Al Bab, outro reduto jihadista ao norte da base.

“O exército prepara-se para lançar operações nesta região, onde houve combates nos três últimos anos. O objectivo é penetrar nas regiões sob controle (do EI), mais que enfrentar os rebeldes”, disse a fonte militar.

Ex-capital económica da Síria, a cidade de Aleppo está dividida desde 2012. Alguns bairros são controlados por rebeldes e outros pelo regime.

Negociações em Viena

Antes da reunião internacional de Viena, no sábado, dois grupos de trabalho – um encarregado de definir as “organizações terroristas” e outro de detalhar a lista de opositores para negociar com o regime – se encontraram nesta quinta-feira. Um terceiro grupo, sobre a questão humanitária, começará seu trabalho na sexta-feira.

Rússia e Irão não estão de acordo com os Estados Unidos e os seus aliados europeus e árabes sobre quais grupos devem ser considerados “terroristas” e aqueles que podem ser considerados parte da oposição síria.

Moscovo manifestou a sua irritação com Washington. A diplomacia russa acusa os Estados Unidos de ter “organizado às pressas as reuniões dos grupos de trabalho, em 12 e 13 de Novembro em Viena, sem consultar a Rússia”. É uma “tentativa de dividir os participantes no processo de solução da crise”, acrescentou.

Segundo um diplomata europeu em Beirute, “Moscovo quis demonstrar o seu descontentamento porque, em seu julgamento, Washington acrescentou de forma unilateral e de última hora países como Japão, Austrália, Áustria e Holanda, sem consultar a Rússia”.

O secretário de Estado americano, John Kerry, admitiu, em Washington: “não posso dizer que estamos no umbral de um acordo completo. Não! Há muito trabalho pela frente”. (afp.com)

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