Quenianos ansiosos pela visita do Papa Francisco

Figura do Papa Francisco na Catedral da Sagrada Família em Nairobi (DW)
Figura do Papa Francisco na Catedral da Sagrada Família em Nairobi (DW)
Figura do Papa Francisco na Catedral da Sagrada Família em Nairobi (DW)

O Papa Francisco começa esta quarta-feira a sua primeira visita a África. O Quénia é o ponto de partida. Francisco visitará também o Uganda e a República Centro-Africana. A paz é um dos tópicos principais na agenda.

O Papa Francisco já chegou à Catedral da Sagrada Família em Nairobi. Foi colocada aí uma imagem de cartão em tamanho real do pontífice, que sorri aos fiéis.

“Estou muito entusiasmada e contente. Sinto-me abençoada”, diz Kevin Bundi, de 31 anos, ao subir a escadaria da catedral. Segundo uma sondagem recente, 93% dos quenianos, de várias confissões, dizem estar contentes com a chegada do Papa Francisco. Esta é a maior visita de uma personalidade internacional desde que o Presidente norte-americano Barack Obama esteve no país, em julho. Prevê-se que mais de 1,4 milhões de pessoas participem na missa campal, marcada para quinta-feira.

As medidas de segurança foram reforçadas, assegura o inspetor-geral da polícia queniana, Joseph Boinett: “Estamos preparados para receber o Santo Padre e a sua comitiva. Foram tomadas medidas de segurança de forma a cobrir todas as ruas por onde ele irá passar e para que os visitantes que vêm à cidade para ver o Papa estejam seguros.”

Paz e reconciliação na agenda

Maurene Okumu distribui convites para a missa papal. “Esperamos que ele reze pela paz no Quénia. Não há paz no nosso país”, diz.

Esse é um desejo partilhado por muitos, um país que luta há vários anos contra ataques extremistas. Muitos quenianos estão ainda chocados com o ataque da milícia islâmica somali al-Shabab à Universidade queniana de Garissa, em abril, que causou 142 mortos, a maioria cristãos. As tensões étnicas cimentam também o receio, entre muitos quenianos, de uma repetição dos confrontos que se seguiram às eleições gerais de 2007, em que morreram mais de mil pessoas.

O alto representante da Igreja Católica já anunciou que a paz e a reconciliação estarão no topo da agenda da sua viagem de quatro dias a África. “Vivemos numa altura em que os crentes religiosos e as pessoas de boa vontade, de todo o lado, são chamadas a promover o respeito e entendimento mútuos e a apoiarem-se uns aos outros como membros de uma única família humana”, afirmou Francisco numa mensagem de vídeo divulgada no domingo. Além do Quénia, o Papa visitará ainda o Uganda e a República Centro-Africana.

O apelo de Francisco foi bem recebido no Quénia. “A sua presença e o seu reconhecimento de que há pessoas de confissões diferentes neste país é uma indicação clara de que o Papa quer promover as relações inter-religiosas”, disse Hassan Ole Nado, secretário-geral adjunto do Conselho Supremo dos Muçulmanos do Quénia. Os muçulmanos constituem cerca de 11% da população do Quénia. O papa irá encontrar-se com líderes muçulmanos e representantes de outras religiões, na quinta-feira.

Futuro da Igreja Católica

Os fiéis na Catedral da Sagrada Família pedem outra coisa ao Papa: que ele fale claramente sobre corrupção. “Ele precisa de dizer às pessoas para banir a corrupção de uma vez por todas”, diz Anthony Gachuru.

No domingo passado, a ministra queniana do Planeamento, Anne Waiguru, demitiu-se na sequência do desaparecimento de fundos públicos, incluindo 100 milhões de euros do Serviço Nacional da Juventude. O Presidente Uhuru Kenyatta prometeu medidas duras para erradicar a corrupção. No entanto, a confiança da população no Governo não é muita. “Não precisamos de palavras bonitas, é preciso agir”, escreveu o jornal queniano Daily Nation.

Durante a viagem a África, o Papa também deverá abordar a pobreza crescente no continente. Na sexta-feira, Francisco visitará o bairro de lata de Kangemi, nos arredores de Nairobi, onde vivem mais de 200 mil pessoas. 43,4% dos quenianos vive abaixo da linha da pobreza.

Os católicos esperam também que o Papa aborde, nos seus discursos, o futuro da Igreja. Francisco já sugeriu várias vezes que será necessária uma reforma cautelosa da recusa firme católica da homossexualidade e do divórcio, algo a que resistiram fortemente grupos conservadores de todo o mundo, incluindo muitos bispos africanos. “Ele deve tomar uma posição clara sobre o rumo da Igreja”, diz Myriam Mwangi, de 36 anos, uma coordenadora de planeamento familiar da arquidiocese de Nairobi.

Mwangi diz que respeitará a posição do Papa, mas tem a sua opinião pessoal: “Quero que a Igreja continue nos moldes tradicionais.” (dw.de)

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