Quem é o belga suspeito de ter orquestrado os ataques em Paris

Abaaoud adoptou nome religioso de "Abou Omar Soussi" e juntou-se ao EI em 2013 (Reuters)
Abaaoud é um dos principais suspeitos de ter orquestrado ataques em Paris (Reuters)
Abaaoud é um dos principais suspeitos de ter orquestrado ataques em Paris (Reuters)

Em Agosto passado, um jihadista detido em França ao regressar da Síria confessou ao juiz Marc Trévidic que havia sido preparado para cometer um atentado durante um show de rock e identificou o idealizador do projecto: Abdelhamid Abaaoud.

Esse nome aparece agora citado por fontes judiciárias francesas como suspeito de ser o mentor dos atentados que fizeram pelo menos 129 mortos e 350 feridos em Paris, na sexta-feira, apoiado em indícios que ligam Abaaoud aos autores do múltiplo ataque.

Originário do bairro de Molenbeek, em Bruxelas, Abaaoud seria amigo de infância de Salah Abdeslam, procurado internacionalmente por suspeita de participar dos ataques em Paris e irmão de Brahim, um dos homens-bomba.

Segundo a imprensa belga, Brahim e Abaaoud foram julgados juntos em 2010 e 2011 por roubo e tráfico de drogas em Bruxelas.

O nome de Abaaoud aparece em todas as investigações de atentados planeados contra a França ou a na Bélgica nos últimos dois anos e é o ponto comum entre os vários terroristas que viveram ou passaram por Molenbeek.

Investigadores belgas desconfiam que o jihadista teve contactos com Ayoub El-Khazzani, suspeito de tentar cometer um atentado em um comboio que ligava Amesterdão a Paris, em Agosto, e com Mehdi Nemmouche, autor do atentado contra o Museu Judaico de Bruxelas, em Maio de 2014.

Ambos estavam hospedados em Molenbeek quando cometeram esses crimes.

Além disso, a polícia francesa suspeita que Abaaoud estava por trás do projecto de atentado contra uma igreja de Villejuif (França), encarregado ao argelino Sid Ahmed Ghlam, em Abril passado, detido pelo assassinato de uma mulher antes de concretizar o plano terrorista.

Carreira jihadista

O jihadista mais procurado da Bélgica, Abdelhamid Abaaoud é filho de imigrantes muçulmanos de Molenbeek, descrito pelos amigos da escola como brincalhão, pacífico, religioso, mas não radical.

Seu pai, Omar, um marroquino instalado em Bruxelas há 40 anos, orgulha-se de ter chegado ao país como mineiro e conseguido comprar uma loja de roupas, onde Abaaoud trabalhava a seu lado.

Como a maioria dos pais de combatentes estrangeiros, Omar diz não saber explicar como o filho pôde se radicalizar tão rapidamente.

Abaaoud adoptou nome religioso de "Abou Omar Soussi" e juntou-se ao EI em 2013 (Reuters)
Abaaoud adoptou nome religioso de “Abou Omar Soussi” e juntou-se ao EI em 2013 (Reuters)

Não há registos de que o jovem tivesse pertencido ao grupo extremista Sharia4Belgium, considerado principal recrutador de militantes de grupos extremistas na Bélgica.

Ainda assim, Abaaoud adoptou o nome religioso de Abou Omar Soussi e se juntou aos combatentes radicais na Síria no começo de 2013.

Seu nome ficou conhecido na Bélgica um ano mais tarde, quando o pai revelou à imprensa que Abaaoud teria doutrinado e levado à Síria o irmão de 13 anos, Younes.

Pouco depois, o jihadista foi identificado em uma série de vídeos macabros publicados em redes sociais, nos quais aparece sorridente ao volante de uma camionete que reboca cadáveres mutilados de civis assassinados pelo grupo auto-denominado Estado Islâmico (EI).

Abaaoud era, na época, um dos combatentes francófonos mais activos nas redes sociais.

Em sua conta no Facebook, hoje fechada, ele publicava ameaças de atentados contra a França e a Bélgica, incitava os  seus conterrâneos a unir-se ao seu grupo na Síria ou a “passar à acção” em seus próprios países, caso não conseguissem emigrar.

Ascensão

Em um ano, o jihadista de Molenbeek teria subido na hierarquia do Estado Islâmico; acredita-se que hoje ele é um dos membros estrangeiros mais importantes do EI.

Seu nome voltaria a aparecer nos noticiários em Janeiro passado, citado como cérebro de uma célula terrorista desmembrada na cidade belga de Verviers que estava pronta para cometer um atentado de grandes proporções contra as forças de segurança do país.

O episódio ocorreu uma semana depois dos atentados contra o jornal satírico Charlie Hebdo e um supermercado judeu em Paris.

Na ocasião, dois suspeitos foram mortos pela polícia belga. Abaaoud apareceria meses mais tarde provocando as autoridades belgas em uma entrevista publicada pela revista-propaganda do EI, Dabiq.

No texto, cuja autenticidade não pode ser comprovada, o terrorista afirmava ter entrado clandestinamente na Bélgica para preparar o atentado frustrado e conseguido sair sem ser detectado antes da operação policial.

“Tenho vergonha por Abdelhamid. Ele arruinou nossas vidas. Nós que devemos tudo à Bélgica”, disse o pai do terrorista em uma entrevista concedida ao jornal belga Het Laatste Nieuws na época.

As autoridades belgas acreditam que Abaaoud tenha se escondido na Grécia ou na Turquia.

Em Julho passado ele foi condenado à revelia a 20 anos de prisão em um dos mega-processos realizados na Bélgica por recrutamento de jihadistas. (bbc.co.uk)

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