Programa do PS pode penalizar a EDP

(Negocios)
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Apesar de não antever grandes mudanças no mercado energético nacional, o BPI antevê que a EDP sairá penalizada. A estimativa tem por base um novo imposto na geração hídrica, bem como o alargamento da tarifa social. Factores que levaram o banco a cortar a recomendação para a energética.

O programa de Governo do Partido Socialista dedica 15 páginas ao sector energético. Este é o primeiro ponto a destacar pela equipa de análise do BPI, salientando que a REN deverá ser imune a quaisquer surpresas negativas. O mesmo já não acontece com a EDP, que poderá ser alvo de um novo imposto. Por isso, os especialistas cortaram a recomendação da EDP para “reduzir”.

“Embora a energia não tenha estado no centro das discussões durante a campanha e o período pós-eleitoral, o programa dedica-lhe algumas 15 páginas”, atira o BPI, realçando que não antecipa “mudanças severas no sector”. Os especialistas dizem mesmo que “as medidas detalhadas pelo Governo são neutrais para REN”. Já para a EDP, por outro lado, poderão ser “potencialmente negativas”.

A equipa de análise do BPI aponta que “a proposta que mais salta à vista é a limitação dos lucros extraordinários da geração hídrica em anos de seca”. “Não há qualquer detalhe acerca disto, além da menção de que deverá ser feito de forma semelhante ao que aconteceu em Espanha”, nota o BPI. Por isso, “assumimos que poderá ser introduzido um imposto na geração hídrica.

“A dificuldade em quantificar esta medida recai no comentário ‘em anos de seca’, uma vez que em Espanha a taxa é semelhante em todos os anos, representando 10 euros por megawatt”, explica o BPI. A ser semelhante em Portugal, “estaríamos a falar de um corte de 90 milhões de euros no EBITDA anual da empresa em 2016, quase duplicando em 2018”. Montantes que representariam um corte entre 5% a 11% nos lucros por acção previstos entre 2016 e 2018 e que iriam “corroer o preço-alvo em 15%”.

A agravar o cenário da EDP há ainda a tarifa social da electricidade. O objectivo do PS é alargar a base de consumidores abrangidos de 60 mil para 500 mil, bem como incluir parte destes de forma automática. “Estimamos que a empresa esteja a pagar actualmente cerca de três milhões de euros” com a tarifa social, diz o BPI. Se a medida proposta pelo PS for aplicada, este valor pode aumentar para 24 milhões.

Segundo as estimativas do banco português, este valor “representaria um corte de 1% nos lucros por acção em 2017 e de 3% no preço-alvo”. O BPI conclui, por isso, que há um “contexto de incerteza regulatória” e destaca “o bom desempenho das acções desde 15 de Setembro, o que levou a cotação a convergir com o preço-alvo” de 3,25 euros. Factores que levam o banco a cortar agora a recomendação da EDP de “neutral” para “reduzir”.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro. (jornaldenegocios.pt)

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