Prisão dos ‘Revús’ desestabiliza famílias

(Foto: D.R.)
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Os dependentes de alguns dos 15 activistas presos, acusados de preparação de actos de rebelião, estão a passar por dificuldades. Num dos casos, os filhos tiveram de abandonar a escola

Os filhos de Benedito Jeremias, um dos 15 “revús” presos há mais de 100 dias, foram obrigadas a abandonar a escola por alegada falta de condições financeiras.

Henriquieta Diogo, a sua mulher, disse, em declarações a O PAÍS, que face as dificuldades que a família enfrenta, teve que enviar os filhos do casal ao Moxico para beneficiarem de apoio familiar e assistência médica. As crianças, diz ela, ficaram traumatizadas ao verem o chefe da família a ser tratado como criminoso pelos efectivos da Polícia Nacional no dia da sua detenção.

“Elas viram-o algemado e acompanharam a desarrumação que os polícias fizeram em nossa casa, no momento em que procediam a apreensão dos equipamentos informáticos. O que fez com que uma delas acabasse por ficar doente no mesmo dia”, disse. Já as duas filhas de Domingos da Cruz, de 11 e oito anos, passaram a ter baixo rendimento escolar, em função da situação em que se encontram. Esperança Gonga contou que desde que o seu marido foi detido o ambiente de alegria que se vivia foi substituído por um cenário de tristeza acompanhada de choros.

“A soltura do vosso pai depende do Presidente José Eduardo dos Santos”, disse ser esta a forma como responde às suas filhas sempre que a questionam sobre razão de o pai e seus companheiros permanecerem na prisão.

Acrescentou que, embora as autoridades aleguem existir separação de poderes, acredita que tal não acontece. E que, por outro lado, age desta maneira para não frustrar as perspectivas delas em torno do processo.

Disse ainda que optou por justificar a detenção do seu companheiro nestes termos por não encontrar fundamentos para permanecer com a versão de que estavam a viver um “conto de fadas” e tudo seria resolvido num curto espaço de tempo.

“Passamos-lhes inicialmente essa mensagem porque parecianos que tudo seria resolvido num curto espaço de tempo, pelo facto de, no nosso ponto de vista, eles não terem cometido os crimes de que são acusados. Mas como a situação tende a ficar cada vez mais complicada, não vimos outra saída”, frisou.

Contou que quando vai à cadeia para visitá-los, as crianças ficam esperançosas de que regressará à casa com Domingos da Cruz. (opais.ao)

 

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