Pedro Nuno Santos: “Não criaremos uma crise política”

(Negocios)
(Negocios)
(Negocios)

O deputado socialista diz ao Público que o acordo entre os quatro partidos da esquerda será conhecido do Parlamento antes da votação de uma moção de rejeição do Governo da coligação PSD-CDS.

Pedro Nuno Santos, deputado socialista que tem acompanhado António Costa nas negociações entre PS, BE, PCP e Verdes garante ao Público que os socialistas não vão criar uma crise política e deixar o país sem governo, a menos que tenham em tempo útil garantido e apresentado ao Parlamento uma “alternativa que seja duradoura, estável, sólida”.

Questionado sobre se o acordo das esquerdas será conhecido antes da votação da moção de rejeição do segundo governo de Pedro Passos Coelho, o deputado responde: “Julgo que sim. O acordo será conhecido no momento certo e quando estiver fechado. António Costa foi muito claro. Não deixaremos o país sem Governo. Não criaremos uma crise política. O que quer dizer que só viabilizaremos o Governo da coligação se não tivermos uma alternativa que seja duradoura, estável, sólida. E obviamente que ela terá de ser divulgada e apresentada no Parlamento”.

Sobre se esse acordo implicará o PCP e BE no Conselho de Ministros, Santos responde que “essa questão não está encerrada”, mas o que “é mais relevante, no que diz respeito à estabilidade e durabilidade do Governo é o apoio maioritário do Parlamento”.

Sobre o conteúdo desse acordo, o socialista confirma que o PS não vai ceder na recusa ao aumento do salário mínimo para 600 euros em 2016, mas todas as demais perguntas ficaram sem resposta. Sobre a descida do IVA na electricidade e na restauração, sobre a devolução da sobretaxa do IRS em 2016 ou a reposição dos salários da função pública até ao fim do próximo ano, a resposta foi: “Não vou falar sobre isso”. “Enquanto o acordo não estiver fechado, não há acordo” mas, assevera, “a maioria esmagadora do programa de Governo é o programa do PS”.

“Aquilo que mostrará o programa do Governo liderado pelo PS é que não só é possível recuperar rendimentos e proteger os serviços públicos, como é possível fazê-lo dentro das restrições orçamentais que nos permitem cumprir uma trajectória que não ponha em causa os nossos compromissos internacionais. Isso será confirmado no momento em que for apresentado o programa que terá também as contas feitas, como nós apresentámos durante a campanha. E o programa de Governo também terá as contas feitas. Poderá dar a segurança que as pessoas precisam relativamente ao cumprimento das metas”.

Em próximas eleições, admite que os quatro partidos do acordo para serem consequentes terão de se apresentar coligados? “Não, não admito”, responde.

Questionado porque é que o PS não negociou à direita, com os partidos europeístas, o deputado argumenta que “um apoio do PS a um Governo de direita carecia de muito mais legitimidade política, nomeadamente pelas questões programáticas que nos distanciam”. E a guinada à esquerda não era inesperada, acrescenta, porque “o António Costa disse sempre que não viabilizaria um Governo minoritário de direita. E nunca disse que não formaria uma maioria com os partidos à esquerda”. Pedro Nuno Santos desvaloriza o peso das críticas interna. “Não tenho dúvida nenhuma que a esmagadora maioria dos militantes do PS apoia a estratégia que está a ser seguida pela direcção do PS. Porque se há coisa que os militantes não querem que o PS seja é a muleta de um Governo minoritário de direita”.

Sobre a decisão de Cavaco Silva, que terá de ponderar a solidez de um eventual acordo à esquerda e outras opções, responde que “seria demasiado gravoso para o país aceitar que um Presidente da República pudesse preferir um Governo de gestão ou de iniciativa presidencial a um Governo com apoio maioritário, aliás como esse Presidente sempre exigiu”. (jornaldenegocios.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA