Papa denuncia radicalização de jovens e violência em nome de Deus

(Foto de Jennifer Huxta/AFP)
(Foto de Jennifer Huxta/AFP)
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O papa Francisco denunciou nesta quinta-feira em Nairobi a radicalização de jovens que se tornaram “extremistas” para cometer “ataques bárbaros” injustificáveis em nome de Deus, antes de fazer um apelo a muçulmanos, protestantes e católicos para que resistam juntos.

“Nossa convicção comum é que que o Deus ao que buscamos servir é um Deus de paz. Seu santo nome não pode ser utilizado nunca para justificar o ódio e a violência”, disse.

Francisco fez as declarações na embaixada da Santa Sé em Nairobi, na presença de representantes das Igrejas anglicana, luterana, metodista, pente-costal, e dirigentes do Islão e de religiões animistas.

O pontífice está desde quarta-feira no Quénia, primeira etapa de sua viagem ao continente africano.

“Sei o quanto está vivo em vocês a recordação que deixaram os ataques bárbaros no centro comercial de Westgate (de Nairobi), na Universidade de Garissa (leste) e em Mandera (nordeste)”, afirmou, em referência aos violentos atentados cometidos no Quénia pelos islamitas somalis shebab nos últimos dois anos.

“Há jovens que se tornaram extremistas em nome da religião para semear a discórdia e o medo, e para fazer em pedaços o tecido de nossa sociedade”, completou o papa argentino, quase duas semanas depois dos atentados de Paris, cometidos por jovens muçulmanos radicalizados.

Por este motivo, “o diálogo ecuménico e inter-religioso não é um luxo, não é opcional, é algo que nosso mundo, ferido pelos conflitos, precisa ainda mais, disse, antes de reafirmar o “compromisso” da Igreja católica com este diálogo.

Em nome dos muçulmanos, Abdulghafur El-Busaiyn, presidente do Conselho Supremo dos Muçulmanos Quenianos, fez um apelo para que “como povo de um só Deus, nós (cristãos e muçulmanos), enfrentemos e estejamos unidos” ante os desafios actuais.

O arcebispo anglicano Eliud Wabukala condenou o “colonialismo ideológico dos estilos de vida secularizados” importados do Ocidente e afirmou que os atentados recentes no Quénia “ameaçam a coexistência pacífica e a integração” entre comunidades no país.

Francisco também visitará Uganda e a República Centro-Africana, países igualmente afectados pela violência religiosa. (afp.com)

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