Os novos hovercraft que prometem revolucionar as operações de salvamento

(Euronews)
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O hovercraft surgiu há mais de 50 anos. A flexibilidade que permite tornou-o num veículo muito utilizado em situações de emergência. O funcionamento assenta num colchão pneumático impulsionado por uma hélice, podendo mover-se sobre terra ou água. Mas o manejo pode ser particularmente desafiante. Não no caso destes novos aparelhos.

O engenheiro naval Angelo Odetti explica que “uma das novidades é um sistema de controlo de superfícies. Chama-se Flaptons e permite compensar a inclinação do veículo quando curva.” Marco Mastrangeli, coordenador do projeto Hoverspill, fez-nos uma espécie de visita guiada: “Temos um comando através do qual podemos controlar a parte dianteira para cima, para baixo, para trás, para a direita e para a esquerda. O motor é idêntico aos motores de popa: podemos tirá-lo e colocá-lo noutro hovercraft, ou em dois que estejam acoplados para um veículo maior.”

O contexto de utilização pode ser muito diverso: no domínio da pesquisa ambiental, na monitorização de derrames de petróleo ou em salvamentos. Vincenzo Minenna, instrutor de operações de socorro, afirma que “este é um veículo inovador que pode ser uma solução para várias situações. Mas é crucial dar formação a quem o vai conduzir, para saber, por exemplo, como melhor abordar uma pessoa que esteja na água. Podemos usá-lo no rio, no mar, quando há inundações…”

É num cenário idílico, num antigo castelo da região da Ligúria, no norte de Itália, que se situa o centro de pesquisa, onde trabalha um grupo de engenheiros navais orientado por Marco Mastrangeli. “Há 27 anos, comprei uma empresa que possuía dois pequenos hovercraft americanos. Foi aí que percebi as potencialidades destes aparelhos, para circular em Veneza, por exemplo. Mas estes tinham pouca potência…”, aponta.

Tornaram-se veículos populares no imaginário do Cinema. A sua versatilidade apaixonou vários especialistas da comunidade científica. Uma delas, Paola Rigoni, salienta que “o consórcio Hoverspill conta com a colaboração dos especialistas mais destacados em engenharia mecânica, em mecânica de fluidos e no desenvolvimento de hélices. Todas estas áreas convergem para operar este veículo tão especial.”

Não só foi criado um aparelho ainda mais versátil e capaz de lidar com contextos mais diversos, como também se estruturou um programa de prevenção de desastres costeiros chamado “Shore Sentinel” ou “Sentinela da Costa”. “A base do ‘Shore Sentinel’ é a cidade de Veneza e os centros de apoio ao longo do rio Pó. Cada centro deve ter um alcance, em caso de emergência, de 200 a 300 localidades. As equipas têm de estar prontas para intervir em grandes catástrofes noutros pontos do planeta. Há hovercraft guardados em contentores no aeroporto de Roterdão, prontos para serem enviados a qualquer momento”, realça Marco Mastrangeli. (euronews.com)

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