Obama e Netanyahu tentam reaproximação

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (D), e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington, DC, no dia 9 de novembro de 2015 (Foto de Saul Loeb/AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (D), e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington, DC, no dia 9 de novembro de 2015 (Foto de Saul Loeb/AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama (D), e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington, DC, no dia 9 de novembro de 2015 (Foto de Saul Loeb/AFP)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ressaltaram nesta segunda-feira a força dos vínculos bilaterais em uma tentativa de reaproximação após as tensões despertadas com assinatura de um acordo internacional com o Irão.

Ao receber Netanyahu no Salão Oval da Casa Branca, Obama declarou que “não é segredo” que ambos mantêm divergências sobre o acordo nuclear com o Irão, mas mencionou o “vínculo extraordinário” entre os dois países.

Por sua vez, o primeiro-ministro israelita reafirmou o compromisso de seu governo com um diálogo de paz com os palestinianos.

Este foi o primeiro encontro entre Obama e Netanyahu desde a assinatura entre as potências e o Irão do acordo sobre o programa nuclear de Teerão, duramente criticado por Israel.

Obama falou sobre a onda violência nos territórios palestinianos e Jerusalém, e condenou “nos termos mais firmes a violência palestiniana contra cidadãos israelitas inocentes”.

O presidente ofereceu a Netanyahu um longo aperto de mão e afirmou que a segurança de Israel continua a ser uma prioridade da política externa de seu governo.

Solução de dois Estados

Em contrapartida, Netanyahu tentou dissipar a impressão generalizada – reforçada por comentários durante sua campanha eleitoral – de que se opõe à criação de um Estado palestino.

Ao longo de décadas, a proposta de uma “solução de dois Estados” foi a base fundamental dos esforços de paz. Mas há tempos, Netanyahu tem irritado a Casa Branca, sugerindo que a solução de dois Estados estava acabada.

“Eu continuo comprometido com uma visão de paz de dois Estados para dois povos, um Estado palestino desmilitarizado que reconheça o Estado de Israel”, afirmou Netanyahu.

Ele acrescentou que queria “deixar claro que não renunciou à esperança de paz. Nunca renunciaremos à esperança de paz”.

Em Março, durante sua campanha eleitoral, Netanyahu tinha considerado como sepultada a ideia de um Estado palestino, ainda que depois de ser reeleito tenha procurado relativizar essa afirmação.

Para agravar a situação, Netanyahu viajou a Washington em Março para proferir um discurso perante o Congresso, convidado por dirigentes do Partido Republicano, e no qual criticou fortemente a política externa de Obama.

Novo acordo militar

Na reunião desta segunda, a agenda também inclui discussões sobre um novo acordo militar bilateral para os próximos 10 anos.

O primeiro ministro israelita poderia pedir que a ajuda militar de mais de 3 biliões de dólares por ano que recebe de Washington aumente para US$ 5 biliões, segundo especulações da imprensa israelita.

A situação é muito menos encorajadora no que diz respeito à questão do conflito com os palestinianos. Obama perdeu toda a esperança de ver israelitas e palestinianos selarem a paz antes do final de seu mandato, em Janeiro de 2017. Também vê como remota a possibilidade de uma retomada das negociações dentro deste prazo.

Obama e Netanyahu se reúnem num momento em que os Territórios palestinianos, Jerusalém e Israel vivem uma onda de violência que faz temer uma nova intifada.

Desde 1º de Outubro, 75 palestinianos e 10 israelitas morreram. (afp.com)

Antes de sua partida no domingo, Netanyahu declarou que iria conversar com Obama sobre os “possíveis avanços com os palestinianos”, dando a entender que poderia anunciar medidas concretas para facilitar a vida dos palestinianos e aliviar as tensões.

O primeiro-ministro está sob pressão da direita israelitas. E neste sentido, quinze deputados assinaram um chamado para que Netanyahu defenda junto a Obama “o direito legal e histórico” de Israel de construir em Jerusalém e na Cisjordânia. Como um gesto de apaziguamento, Naftali Bennett, um dos principais aliados do governo de coligação de Netanyahu, rejeitou a ideia. (afp.com)

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