O impacto do trânsito na economia

(Foto: D.R.)
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Os engarrafa­mentos são uma realidade caótica para os moradores da cidade capital, e influenciam na qualidade de vida e produtividade da economia.

O trânsito caótico e o transporte público deficiente, provocam muito mais prejuízos a Cidade Capital do que apenas o aborrecimento diário de seus moradores. Apesar da ausência de dados oficiais e estudos, pode se afirmar que o engarrafa­mento na Cidade de Luanda custa bilhões de Kwanzas à cidade, tendo em conta os minutos perdidos no tráfego em produção econômica e também os custos extras com com­bustível em função do fluxo lento de veículos.

Não restam duvidas que o engar­rafamento que Luanda enfrenta tem uma grande influência na economia e na qualidade de vida dos cita­dinos. Se o tempo de locomoção do Angolano até o trabalho fosse limitado a 30 minutos por dia, de certeza que a produtividade seria melhor. O ganho de tempo não precisaria ser usado só no trabalho, mas em Educação, Desporto ou qualquer coisa que melhorasse a qualidade de vida das pessoas, por­que essas atividades acabam desa­parecendo quando estamos presos em automóveis ou entulhados no transporte público e a queda de rendimento no desempenho dos trabalhadores devido a fatores como o cansaço e o estresse.

Também importa realçar que, o automóvel não é o fator que mais contribui para os congestiona­mentos em Luanda. O problema maior da cidade é a concentração de empresas e serviços no Centro, decorrente da falta de planeamento urbano e falta de vias alternativas. “O trânsito em Luanda é unidire­cional, com todos os veículos indo para a baixa da Cidade, e para quem sai da parte Sul só tem duas alterna­tivas: Via da Samba ou Rocha.

A paralisia do trânsito tem im­pacto na economia como um todo.

Com os custos logísticos: Os caminhões retidos nos engarra­famentos têm custo maior porque gastam mais, rodam menos e fazem, portanto, menos entregas. Como esses caminhões cumprem menos ciclos de entrega, as trans­portadoras precisam aumentar a frota ou subcontratar serviços de entrega adicionais para atender seus clientes. Com isso, colocam ainda mais veículos nas ruas. Mais veículos nas ruas, mais motoristas contratados. Pela ótica da geração de empregos, o trânsito poderia ser um bom negócio, mas os motoristas adoecem mais nos congestiona­mentos, elevando o valor dos planos de saúde e dos seguros pessoais. Todos esses custos adicionais serão repassados ao valor do produto e ao bolso do consumidor.

Com gastos com combustíveis: O aumento do consumo dos combus­tíveis provoca aumento de preços.

Com custos de produção: Dependendo do tipo de produto transportado, o tempo parado pode fazer com que a carga estrague ou tenha sua validade encurtada. Além disso, as empresas são forçadas a montar estoques maiores por causa do temor de desabastecimento e interrupção da produção (por causa de atrasos na entrega da matéria-prima, por exemplo).

A única alternativa que poderá vir a ser encontrada com o passar do tempo, são medidas que deverão ser adoptadas não só pelos órgãos competentes mas também pelas empresas, que contribuam para aliviar de alguma forma o transito na Cidade Capital.

Os órgãos competentes com pla­neamento urbanístico e reestrutu­ração de vias que tornem o trânsito mais rápido, transportes públicos de maior qualidade e conforto, para que o cidadão possa utilizar-se deles, novas ruas e avenidas ligando bairros e regiões entre si aliviando o tráfego rodoviário.

Também fica um desafio para as empresas, para que comessem a pensar e avaliar mudanças no ho­rário de expediente. Que tal reduzir a pausa de almoço para 1 hora e o horário de entrada passar para as 9 horas e 30 minutos. (opais.ao)

Por: José Matuta Cuato

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