O dia num minuto: o debate do programa do Governo, o efeito na bolsa e nos juros e o Montepio

(Negocios)
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Foi o primeiro dia do debate sobre o programa do Governo. Coligação e esquerda trocaram acusações sobre a legitimidade para governar. Investidores temem instabilidade política. Já são conhecidas as listas concorrentes à liderança do Montepio.

Costa não falou no debate do programa de Passos. A tarde foi marcada por um aceso debate no parlamento sobre o programa do governo de coligação liderado por Passos Coelho, que se espera seja rejeitado esta terça-feira. O primeiro-ministro aproveitou o discurso inicial para defender os últimos quatro anos: “A austeridade nunca foi uma questão de escolha, mas sim uma necessidade”. E também a legitimidade do seu Governo. “Sei que para muitos esta discussão é uma perda de tempo”, atirou. A questão da legitimidade marcou todo o debate, com o líder da bancada parlamentar do PS a afirmar que “todos os que hoje são governo, podem amanhã ser oposição. António Costa chegou a ser acusado por Nuno Magalhães, do CDP-PP, e Carlos Abreu Amorim, do PSD, de se furtar ao debate. O secretário-geral do PS respondeu, mas aos jornalistas: “As bancadas do PSD e do CDS parecem dar razão aos que acham que o debate com o actual primeiro-ministro é uma perda de tempo, porque o que querem é debater comigo”. Reveja a troca de argumentos no Parlamento no minuto-a-minuto do Negócios.

Perspectiva de queda do Governo enerva investidores. O acordo à esquerda e a perspectiva de queda do Governo levou os investidores a venderem dívida e acções portuguesas. A bolsa de Lisboa encerrou a sessão a perder 4,05%, desparecendo mais de 2.000 milhões de euros de valor de mercado. Uma queda muito mais expressiva que o índice pan-europeu Stoxx 600, que cedeu 1,07%, num dia em que o crescimento chinês voltou a preocupar os investidores. A banca portuguesa foi particularmente penalizada, com o BCP a perder 9,5% e o BPI 8,9%. Também o preço das obrigações do Tesouro caiu levando os juros a avançarem 15 pontos base para os 2,83%, contrariando a tendência de alívio dos países “core” da Zona Euro. O que levou a um agravamento da percepção de risco medida pela diferença para os juros exigidos à Alemanha: o “spread” disparou 18 pontos base para 217 pontos.

Eurogrupo não se intromete. O presidente do Eurogrupo escusou-se esta segunda-feira, em Bruxelas, a comentar a situação política em Portugal, afirmando que resta esperar pelo que vai suceder na Assembleia da República. Como sempre, há sempre um governo legítimo em cada país, e é com esse governo que trabalhamos. Resta-nos aguardar”, limitou-se a dizer Jeroen Dijsselbloem.

Necessidades de capital do Novo Banco conhecidas dia 14. O Banco Central Europeu revela no próximo sábado, dia 14 de Novembro, os resultados dos testes de stress ao Novo Banco, que devido à resolução do BES não foi sujeito a este exercício no ano passado. Ficará assim a conhecer-se em que medida a instituição liderada por Stock da Cunha necessita de reforçar os capitais. Recorde-se que o desconhecimento dos resultados dos testes de stress foi um dos factores que dificultaram a venda do Novo Banco.

OCDE: Instabilidade política pode penalizar crescimento. O Economic Outlook da OCDE não passa ao lado da situação política em Portugal. A organização, que prevê um crescimento de 1,7% do PIB para este ano e um défice de 3%, escreve que “a instabilidade política pode abrandar as reformas, o que vai pesar nas perspectivas de crescimento de médio prazo”. Mas os riscos não ficam por aqui. O declínio da actividade em Angola, o alto endividamento, privado e público, e a baixa rentabilidade dos bancos também podem penalizar a actividade. A economia do conjunto dos 19 países da Zona Euro deverá crescer 1,5% este ano, 1,8% em 2016 e 1,9% em 2017, “suportada por estímulos monetários, por políticas orçamentais neutras e por uma quebra no preço do petróleo”.

Exportações crescem 1,9% em Setembro. As exportações portuguesas de bens avançaram 1,9% em Setembro deste ano, uma desaceleração face aos três meses anteriores, mostram os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Setembro registou o segundo pior desempenho do ano, uma evolução ditada pela quebra no comércio com países fora da Zona Euro, parcialmente compensada com o aumento das vendas para o espaço comunitário. As importações recuaram 1%, devido à diminuição do valor dos combustíveis comprados ao exterior.

Montepio vai a votos e há cinco listas. A eleição para a administração da Associação Mutualista Montepio Geral vai decorrer no dia 2 de Dezembro e há cinco listas na corrida. Quatro delas candidatam-se ao cargo de presidente. O actual detentor do cargo, António Tomás Correira, recandidata-se.

Portugal no centro da inovação da Altice. A promessa foi deixada por Paulo Neves, presidente executivo da PT Portugal, no final de uma conferência de imprensa do grupo francês, na região de Paris: “O centro da inovação para todo o grupo Altice vai ser em Portugal”. Michel Combes, director de operações do grupo francês, anunciou o lançamento do projecto “Altice Labs” que vai reunir mil engenheiros em Portugal, França, Israel, República Dominicana e, mais tarde, nos Estados Unidos. Dexter Goei, presidente executivo da Altice, confirmou à Lusa, no final da conferência, que “o centro de guerra da Altice Labs será em Portugal”.

VW discute nova vaga do escândalo de emissões. A administração do grupo Volkswagen está reunida esta segunda-feira, 9 de Novembro, para debater os novos desenvolvimentos do caso de manipulação de emissões poluentes, que incluem fraude nos níveis de dióxido de carbono também em veículos a gasolina. A organização ambiental Greenpecace manifestou-se à porta da empresa. A dívida de longo prazo da Volkswagen , classificada como “A”, foi reduzida pela Fitch em dois níveis para “BBB+”, com perspectiva negativa, o que significa que pode ser de novo reduzida.

Refugiados recebem “kit” para aprender português. Dar um ‘kit’ a cada refugiado para aprender o idioma português é uma das medidas anunciadas esta segunda-feira pela Plataforma de Apoio aos Refugiados, na assinatura de um protocolo, no Porto, com 25 Instituições para dar alojamento a 160 pessoas. O secretário de Estado da Administração Interna, João Almeida, disse segunda-feira, em Bruxelas, que Portugal tem “disponibilidade imediata” para receber cerca de uma centenas de refugiados.

Parlamento catalão dá pontapé de saída na independência. O Parlamento do Governo autonómico da Catalunha (Generalitat) aprovou esta segunda-feira, 9 de Novembro, uma declaração solene de início do processo independentista da região. O documento foi entregue no passado dia 27 de Outubro pelo Juntos pelo Sim e CUP (Candidatura de Unidade Popular), as forças políticas independentistas que em conjunto conquistaram uma maioria parlamentar nas eleições de 27 de Setembro. Veja, neste vídeo da Bloomberg, como os pró-independentistas tencionam fazer da Catalunha um país em sete passos. (jornaldenegocios.pt)

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