Número de casamentos forçados pode aumentar na África nas próximas décadas

Jovens quenianas esperam para ver Papa Francisco (Foto de Georgina Goodwin/AFP)
Jovens quenianas esperam para ver Papa Francisco (Foto de Georgina Goodwin/AFP)
Jovens quenianas esperam para ver Papa Francisco (Foto de Georgina Goodwin/AFP)

O número de casamentos forçados de meninas na África poderá dobrar até 2050, a menos que medidas urgentes sejam tomadas, alertou o Unicef nesta quinta-feira durante uma conferência organizada pela União Africana na Zâmbia.

“O número total de casamentos infantis passará de 125 milhões a 310 milhões até 2050 se nada for feito agora”, declarou Fatoumata Ndiaye, diretora executiva adjunta do Unicef.

“Isso significa que a África ultrapassará o sul da Ásia, região que possui actualmente o maior número de casamentos de crianças”, afirmou em entrevista por telefone à AFP a partir de Lusaka.

A conferência de Lusaka é a primeira da União Africana sobre esta questão.

Este aumento dramático é explicado principalmente pelo rápido crescimento da população no continente africano.

“O número de crianças na África deve aumentar rapidamente nos próximos anos, expondo mais meninas ao risco” dos casamentos forçados, estimou o Unicef em um relatório publicado por ocasião desta conferência.

O número de crianças e adolescentes com menos de 18 anos na África deve aumentar de 275 milhões para 465 milhões nos próximos 35 anos.

Em comunicado, o director executivo do Unicef, Anthony Lake, ressaltou que o grande número de crianças e adolescentes expostos a casamentos forçados salienta a “urgência de proibir essa prática de uma vez por todas”.

A União Africana calcula que 14 milhões de crianças e adolescentes são forçadas a casar no continente a cada ano, embora esta prática seja ilegal em muitos países.

“O casamento infantil é uma violação dos direitos humanos que impede as meninas de viver em segurança, escolher com quem e quando querem se casar”, declarou a UA antes do início das reuniões.

A pobreza e as tradições são as principais causas desses casamentos.

Mauritânia, Níger, Chade e República Centro-Africana têm as maiores taxas de casamentos forçados do continente. (afp.com)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA