Nomeação política em Portugal carregada de simbolismo

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O novo Governo português tem uma ministra da Justiça de origem angolana. A primeira em Portugal. O seu nome é Francisca Van Dunem, procuradora-geral adjunta e responsável pelo Ministério Público em Lisboa.

Francisca Van Dunem chegou a Portugal com 18 anos, estudou direito, mas a revolução do 25 de Abril de 1974 obrigou-a a interromper o curso e a regressar temporariamente a Angola. A nova ministra da Justiça fez toda a carreira profissional como magistrada no Ministério Público.

Romualda Fernandes é assessora do primeiro secretário da mesa da Assembleia Municipal de Lisboa. Conhece bem o percurso da ova ministra e considera que “ a Dra. Francisca Van Dunem, é uma pessoa muito discreta, como se vê. Com a nomeação dela parece que as pessoas estão a descobri-la, ninguém sabe quem é. Enquanto Francisca Van Dunem tem ocupado lugares de relevo há cerca de 30 anos na magistratura, é uma pessoa muito séria que procura a justiça ao pormenor e é muito atenta às questões do racismo.“

O entusiasmo em torno do simbolismo da escolha da nova ministra da Justiça do Governo de esquerda, esta quinta-feira (26.11) empossado, é bastante perceptível entre membros das comunidades africanas.

Um marco na história de Portugal

Joacine Katar é investigadora associada no Centro de Estudos Internacionais do ISCTE da Universidade de Lisboa e está a fazer o doutoramento em torno de questões de género. Para ela esta nomeação representa um marco: “Eu acho que podemos começar a falar de um antes e depois de Van Dunem na política e sociedade portuguesas. Isto se nos atendermos a um ambiente em que existe uma ausência de cidadãos negros em cargos de visibilidade no país.”

Também José Leitão, primeiro secretário da mesa da Assembleia Municipal de Lisboa, que já foi Alto Comissario para as Migrações, observa que há um simbolismo na escolha de Francisca Van Dunem para ministra da Justiça de Portugal.

Para Leitão “é um sinal muito importante porque faz sentir que as pessoas ao olharem para o lado e verem que há muitos outros portugueses negros, ou não brancos, em geral, que têm grandes competências, grandes qualidades e que, efectivamente, essa diversidade ainda não está expressa de forma equitativa nos diversos níveis da sociedade portuguesa. Penso que os agentes políticos têm um papel importante nisso.” (dw.de)

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