Musongué da Dipanda junta Jovens do Prenda e Os Kiezos domingo no Kilamba

Agrupamento Jovens do Prenda (Foto: José FalsoArquivo)
Agrupamento Jovens do Prenda (Foto: José FalsoArquivo)
Agrupamento Jovens do Prenda (Foto: José FalsoArquivo)

Os agrupamentos Jovens do Prenda e Os Kiezos terão neste domingo a missão de levarem ao público alguns dos melhores momentos da música popular angolana produzida nos 40 anos de independência quando subirem ao palco do Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, no âmbito do programa Musongué da Tradição, também denominado Musongué da Dipanda.

Com início marcado para as 11 horas, o programa do mês de Novembro tem a particularidade de juntar no mesmo palco e a mesma hora dois dos melhores agrupamentos musicais que ao longo dos anos que se seguiram à independência nacional moveram o país do norte ao sul levando música de uma tonalidade de qualidade invejável que mexia com tudo e todos por onde passavam.

Com guiões musicais que incluem temas de intervenção social e outros que exaltavam, anos antes, o desejo da independência dos angolanos, os dois agrupamentos terão aproximadamente seis horas para mostrar aos fãs que ainda têm pedalada para altos voos musicais, dando um toque e cheiro do que se produziu e se produz no mercado em termos de música popular angolana.

Estêvão Costa, responsável do Centro Cultural e Recreativo Kilamba, adianta, em declarações à Angop, tratar-se de uma jornada pensada e repensada em função do peso da data para os angolanos e dos dois agrupamentos no mercado musical angolano, fruto do espaço conquistado na arena nacional.

Adianta que a escolha é propositada e responde a solicitação de frequentadores do espaço que pretendiam ver e ouvir, neste mês, alguns dos melhores da música popular angolana, como forma de recordar os tempos áureos do cancioneiro angolano passados em centros recreativos e em outros locais de diversão por onde passavam as principais referências do mercado nacional.

Historial dos grupos

Jovens do Prenda: o grupo foi fundado em 1966 por jovens residentes na comuna do Prenda, tendo como base instrumentos tradicionais de percussão e um violino. Até à data da independência nacional, em 1975, se tornou num dos conjuntos mais populares de Angola.

O grupo lançou o seu primeiro trabalho discográfico em 1982, intitulado “Mutidi” (Viúva), o segundo em 1992, “Samba-Samba” e o terceiro “Kudicola Kwetu”, em 2003.

Entre os precursores da banda, destaca-se Very Nice (tamborista) e António do Fumo (vocalista), ambos já falecidos, Zé Keno (guitarrista), Cangongo (viola-baixo) e Chico Montenegro, ainda no grupo.

Até a independência, os “Jovitos” publicaram pelo menos dez singles e vários long-plays.

Após uma paralisação que durou de 1975 a 17 de Outubro de 1981, reapareceram como uma orquestra com 12 integrantes.

No seu baú de recordações constam temas como Makame, Manuela, Desespero, Lucinda, Lamento do pai, Isabel, Tété, Sandra, Geinda Gia Mama, Comboio, Samba Samba, entre outras referências musicais.

Os Kiezos: foi formado nos anos 60 por cinco jovens no bairro Marçal, em Luanda, que inicialmente animava festas no bairro.

O nome Kiezos, corruptela da palavra kiezu, em kimbundu, que significa em português vassouras. Foi atribuído numa dessas festas, em 25 de Novembro de 1965.

Durante a exibição do grupo nuvens de poeira eram levantadas no quintal, consequência da frenética animação dos dançarinos, situação que provocou a associação do efeito originado pelo pó, à varredura de uma vassoura, pelo que o grupo passou a chamar-se Kiezos.

O período áureo dos Kiezos situa-se nos anos 70 com o vocalista Vate Costa com quem produziu e gravou os temas “Za Boba”, “Muá Pangu”, “Milhorró”, entre outros.

Nos anos 80 com o cantor Tony do Fumo, o conjunto ganha notoriedade com as canções “Nguami Ku Soba”, “Kiezu jabu”, “Monami Messene” e outras, e na década de 90 do século com Zecax ao comando atinge o apogeu com temas de antologia como “Maximbombo”, “Chapada”, “Boleia” e muitos outros.

O Musongué da Tradição tem por objectivo promover e divulgar a música angolana produzida nos anos 60, 70 e 80. O evento faz parte da grelha de programas do Centro Recreativo e Cultural Kilamba.

O espaço foi reinaugurado em Dezembro de 2001, depois de longos anos voltado ao abandono. (portalangop.co.ao)

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